quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A Hora do Amor

Bom, por onde começo? Pensando bem, pelo começo... Mas onde seria esse começo? Quando eu nasci ou quando eu renasci? Difícil, bem difícil responder, porque eu renasci muitas e muitas vezes. E também já nem me lembro quando que foi a última vez em que morri... Mas sempre dói. Morrer e renascer tal e qual uma Fênix não é tarefa fácil. E nem é uma tarefa, pois não temos escolha de fazê-lo ou não. Simplesmente acontece.
Sei que quando morri pela última vez, renasci por causa dos meus filhos. Foram eles que me deram forças para, depois de queimar, ressurgir das cinzas e, pasmem, ainda mais forte... Hoje já não choro mais com tanta freqüência e não é mais qualquer coisa que me derruba. Pensei que meus problemas haviam diminuído, mas não... Na verdade fui eu que mudei diante deles. Quando digo que, a cada ressurreição, novas forças, não estou brincando.
Antes eu temia mudanças, terrenos insólitos e movediços, agora enfrento toda e qualquer novidade como uma guerreira. Se for vitória ou queda que me esperam, só o tempo irá dizer, mas já não me preocupo com antecedência e aceito as coisas como elas vem. Não é resignação. Longe disso. É força. Mas ainda estou aprendendo e ainda fico triste vez ou outra...
Hoje tenho maturidade para (re)pensar em certas coisas da minha vida. E também de assumir tantas outras. Durante tanto tempo permaneci focada em perdas, desencontros e sentimentos que hoje consigo me restabelecer e saber que é certo que ter com quem dividir as coisas é muito bom... se for a pessoa certa... Aquariana, independente e feminista – sem extremos – mas cheguei num ponto da minha vida que quero ter pra quem voltar todos os dias. Isso mesmo. Uma das coisas que a maturidade faz pela gente é ter a consciência do lado ruim da solidão.
Aqueles momentos batidos, sabem, que já foram tantas e tantas vezes descritos na história do mundo, cenas cotidianas de amores correspondidos. O estar junto porque simplesmente se quer estar junto, escolher estar ali quando se poderia estar em qualquer lugar do mundo. É acordar e dormir todos os dias com um só pensamento: a pessoa amada. Piegas. Eu sei... Mas quero isso pra mim. Tenho urgência em amar. Não. Tenho urgência em ser arrebatada por um amor que una todas as letras do Cazuza, Legião e Skank em uma mesma melodia. Uma pessoa que sinta isso por mim também e que esteja disposta a me olhar nos olhos sempre que disser que me ama. Uma pessoa que, tal e qual Henry Miller, sinta desejo por mim, independente de eu estar usando manequim 42 ou 44. Que reconheça que as oscilações em meu peso estão intimamente ligadas ao meu emocional e que esteja disposto a rir disso cada vez que aquela minha calça preferida não subir além das coxas. Porque eu volto ao 42, é só uma questão de tempo. E de comer aveia junto todo dia de manhã. Ou de ir naquele restaurante vegetariano que eu amo e que ele talvez nem goste muito.
Aquele cara que, apesar de eu me acordar todo dia cedinho de mau humor quando está frio, acorde junto e me faça rir de uma bobagem qualquer porque no fundo também não gosta de acordar cedo no frio e entende a razão do meu estado de espírito, mas nunca vai me falar isso. Uma pessoa que fique me olhando do nada, mesmo quando estou apenas escovando os dentes ou tomando café. Que me penetre com seu olhar, que me desvende, que me suporte. O homem que eu quero pra mim não pode ter medo de me enfrentar, principalmente quando eu me perco de mim mesma. É aquele que vai me segurar para que eu não caia em meu abismo, mesmo tendo de se preocupar com seus próprios abismos.
Não precisa ser perfeito, tenho consciência de que muitas vezes magoamos aqueles que mais amamos, pode ter barriguinha de chopp e tudo o mais. Não espero um deus grego. Mas tem de ser bonito na alma. Tem que ser bondoso e se compadecer com as injustiças como eu me compadeço. Aquele cara que vai trazer da rua os gatinhos que vir abandonados porque sabe que é isso que eu faria. O homem que vai me acompanhar nos domingos nas ruas pra dar comida aos cachorros de rua.
A cor dos olhos não importa desde que me reconheça dentre as milhares de possibilidades que sabe que existem. Que o brilho no seu olhar seja mais forte quando estiver olhando pra mim. Que seja capaz de desviar os olhos da televisão mesmo assistindo ao jogo decisivo do seu time, só pra me olhar. Mesmo que eu esteja apenas deitada na cama com os gatos, ou ocupada com os afazeres domésticos, com a “roupa de ficar em casa” e o cabelo desfiado preso em uma piranha ou um lápis qualquer.
Espero por aquele que irá preencher lindamente meus dias, que vai se preocupar com o horário que eu chego em casa e que, vez ou outra, irá até o meu trabalho para me buscar, não porque desconfia de mim, mas porque fica aflito esperando por notícias de minha volta segura pra casa e quer garantir que irei chegar bem. Uma pessoa que vai mandar mensagens de bom dia e de boa noite todos os dias. Que não vai ter medo de admitir que pensa em mim o tempo todo até para os seus amigos.
Tenho esperado por ele em todos os lugares. Tenho esperado encontrá-lo em toda a parte. Seja num dia ensolarado de verão, seja num dia chuvoso de inverno, que venha de mansinho, que venha pra ficar... E que seja infinito por todos os dias em que durar...

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Universo une as pessoas que estão prontas


"ELE anda cansado das baladas e dos casos furtivos sem sentimentos. Aprendeu a gostar da própria companhia, sem precisar estar em uma turma de amigos todos os sábados. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que traga um sabor doce às suas manhãs, que seja a melhor companhia para olhar a lua. Que ele possa exibir os seus dons na cozinha e o seu conhecimento em vinhos, só para ela.
Quer uma mulher que ele reconheça pelo cheiro dos cabelos, pelo toque dos dedos, pela gargalhada que vai ecoar pela casa transformando um domingo sem graça, no melhor dia da semana. Quer viver uma paixão tranqüila e turbulenta de desejos… quer ter para quem voltar depois de estar com os amigos, sem precisar ficar “caçando” companhias vazias e encontros efêmeros. Quer deitar no tapete da sala e ficar observando enquanto ela, de short jeans, camiseta e um rabo de cavalo, lê um livro no sofá, quer deitar na cama desejando que ela saia do banho com uma lingerie de tirar o fôlego.
Quer brincar de guerra de travesseiros, até que o perdedor vá até a cozinha pegar água. Quer o poder que nenhum dos seus super heróis da infância tiveram… o poder de amar sem medo, sem perigo e sem ir embora no dia seguinte.
Quer provar que pode fazer essa mulher feliz!

ELA quase deixou de acreditar que seria possível ter vontade de se envolver novamente. Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar. Então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz, quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.
Quer observá-lo sem camisa, lendo o jornal na varanda… quer reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida.
Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto. Quer beijar, cheirar, morder, beliscar e apertar para ter certeza que a felicidade está ali mesmo… materializada nele.
Quer provar que pode fazer esse homem feliz!

ELES estão por aí… sonhando um com o outro… talvez ainda nem se conheçam… mas é só uma questão de tempo, até o destino unir essas vidas que se complementam e estão ávidas para amar e fazer o outro feliz.
Ou alguém duvida que o universo traz aquilo que desejamos?"
By: Alguem

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A importância de deixar ir...

Sou uma pessoa sensível, sempre fui... Quando ando na rua, cuido para não pisar nas formigas, é uma espécie de TOC, ou algo assim. Fico horas admirando o ballet das libélulas sobrevoando a água nos dias quentes de verão. Compadeço-me com os animais abandonados, choro junto deles por tamanha injustiça. Sou amante das tardes mornas de primavera, em que aquele vento morno toca as roupas nos varais e as nuvens brancas ornamentam um belo céu azul. Durante muito tempo na minha vida esperei que alguém percebesse essas pequenas coisas, estes detalhes, em mim e me amasse exatamente por conta deles... Mas, em geral, penso que nos dias de hoje isto está cada vez mais difícil. Tive inúmeras ilusões relacionadas ao amor, inúmeras mesmo. Mas fui aprendendo com o passar do tempo. 
Há uma promessa que permeia as relações desde o início dos tempos: de que existe alguém, em algum lugar do mundo, que espera por uma pessoa exatamente como você. Sim. Um alguém que irá complementar a sua vida a tornar todas as tuas lutas mais fáceis de serem enfrentadas. Alma gêmea, seja lá o que for, buscamos por esta pessoa desde os nossos primeiros passos e jamais deixamos de buscar. 
Então, nesta saga que se inicia não sabemos bem quando, cometemos muitos enganos e, a cada nova paixão, a cada novo amor, guardamos, bem lá no fundo, mesmo que não admitamos nem para nós mesmos, a esperança de que esta seja aquela pessoa. A cada beijo, a cada frase dita ou não dita, a cada momento juntos, vamos esperando que aquela pessoa simplesmente fique. É... Que ela permaneça conosco até o fim dos nossos dias. Aquela história do "felizes para sempre", sabe?! Envelhecer juntos e sentar na varanda para cuidar dos netos e admirar o por do sol pela milésima vez. Cuidar um do outro mesmo quando estamos com raiva por conta de algum erro bobo cometido. Ressignificar a vida um do outro a cada dificuldade, enfrentar os desafios mundanos juntos porque um fortalece o outro na caminhada da vida. Muitas e muitas pessoas já sentiram isso, já escreveram sobre isso e cada um tem sua própria concepção sobre este assunto.
A questão que trago hoje é que, diante de tantos enganos e tantas e tantas pessoas que foram embora - algumas para nunca mais voltar - precisamos analisar essa nossa trajetória... Embora guardemos expectativas com relação àqueles que amamos - e sempre guardamos, isso é fato, precisamos ter a consciência plena da finitude de todas as coisas... Sim, isso mesmo, porque, não importa o quanto é grande o amor que sentimos e não importa todas as expectativas que temos, pode não ser eterno, pode não ser o "felizes para sempre" que tanto esperamos. Por isso que é tão importante vivermos o momento. Os momentos. Tristes ou felizes, serão as lembranças destes tantos instantes ao lado daqueles que um dia amamos que permanecerão conosco tal e qual uma tatuagem. Impossível desfazer-se delas. De repente, um cheiro, uma rua, uma música, trazem tudo à tona novamente e o que temos de ter certeza é de que valeu a pena. Mesmo que não tenha dado certo. 
Começamos um relacionamento de um jeito e o terminamos de outro. Não somos os mesmos quando acaba, porque a pessoa que vai deixa muito dela dentro de nós, assim como nós também deixamos muito de nós nelas. Pessoas completamente diferentes, reiniciamos a procura... E aquela pessoa que um dia nos foi tão cara acaba, muitas vezes, se tornando um completo estranho. Essa que é a parte triste de todas as histórias de amor. Cruzamos com aquele que um dia acreditamos ser nada mais nada menos do que a Nossa Metade nas ruas e temos de baixar a cabeça porque não restou nada, apenas as lembranças que habitam algum lugar distante de nosso ser. Desconstruir a imagem que tínhamos daquela pessoa dói por demais e pode doer sempre que a encontrarmos, mas, faz parte da aprendizagem. 
Precisamos perceber que, quando não dá certo, quando aquela pessoa não é a nossa pré destinada desde a maternidade - e um relacionamento quando dá errado dá muitos sinais disto - temos de encontrar meios de desapegar. Sei que não é fácil, pelo contrário, é um processo que provoca uma dor imensa, lancinante... Mas temos de deixar essa pessoa ir... 
Despedidas são muito tristes, sabemos disto. O vazio e a saudade que ficam são sufocantes, por muitos momentos pensamos que a vida deixa de ter sentido quando aquela pessoa não está mais por perto. Mas, se não era A pessoa, aquele por quem esperamos e buscamos desde sempre, por que insistir em um engano? Rotina? Comodismo? Medo da solidão? Não podemos condenar o outro a viver preso em um relacionamento fracassado, não temos este direito... E é aí que está! O deixar ir é algo muito importante para que a busca - de ambos - prossiga... Pode até ser mito, pode até ser que jamais encontremos aquela pessoa para qual fomos destinados, mas devemos (nos) dar a liberdade de tentar de novo... e de novo... e quantas vezes forem necessárias... porque ficar numa relação que não deu certo por orgulho ou seja lá pelo que for não é justo... nem com você e tampouco com o outro... Então, deixe ir... Mesmo que doa, mesmo que você fique perdida... Mesmo que o vazio fique insuportável... Porque é a única coisa que você pode fazer para salvar-se e deixar que o outro se salve também... Pensem nisso... 

"Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor
se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços..."

(Legião Urbana, "Mil Pedaços", cd A Tempestade)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um novo ano requer novas pessoas!

E amanhece o último dia de 2013... No ano passado, neste mesmo dia, estava organizando as coisas na casa nova, tinha recém me mudado e haviam milhares de novos caminhos a serem trilhados. A liberdade, a novidade e as infinitas possibilidades... 
Há muita poesia e muito significado em dias como estes, porque são dias em que podemos sentir a magia no ar, essa magia que nos cerca, que está em toda a parte, mas que, em outros dias, dias normais, se esconde, fica subentendida e somente aqueles que são mais sensíveis conseguem percebê-la.
Paro para refletir sobre o ano que está indo embora e posso concluir que 2013 foi um ano bom, apesar de alguns períodos de baixos... Mas, enfim, a vida é feita de momentos tristes e felizes, não existe felicidade absoluta e penso que os momentos tristes são para que possamos crescer e aprender com eles. 
Em 2013, me libertei de grilhões que me aprisionavam, os últimos em meu processo, ser livre, aprender a ser livre, não foi fácil, precisei amadurecer e me virar sozinha. Mais do que antes. Pessoas passaram a fazer parte de minha vida de forma mais significativa, outras saíram dela sem sequer deixar marcas, sofri, chorei, mas fui vencendo as dificuldades e me tornando mais forte.
Os momentos felizes, foram muitos também, momentos em que estive com aqueles que amo e que sei que me amam também, filmes, cinema, festas, jantares, almoços, passeios...
Os desafios profissionais, a escola, a Ulbra, passei em uma seleção que, depois tive a dimensão da importância dela, única tradutora da Ulbra que não esteve no curso... Na escola, o ano foi de inúmeros aprendizados. Eu e meus alunos aprendemos que não podemos mudar algumas coisas, que devemos ser pacientes e esperar. Fizemos muitas coisas legais, mas nos decepcionamos em outros tantos momentos. As lágrimas deles e frustrações foram minhas também, não pudemos subverter o sistema, mas, ao menos, não nos rendemos a ele. 
Em casa, a união com meus filhos se fortaleceu, na base da briga, da discussão, dos enfrentamentos, mas também de muitos momentos de descontração, risos e abraços. O amor prevaleceu. Apesar da minha ausência constante, ambos venceram suas batalhas pessoais, provando que são pequenos guerreiros, me deram tanto orgulho.
Em resumo, 2013 foi um ano de grandes mudanças e desafios. Como todos os outros foram até hoje. Mas, a grande e real mudança deve vir de dentro, deve estar dentro de nós.
Guardo inúmeras, infinitas expectativas do ano que está por vir, mesmo sabendo que expectativas não são assim tão boas, mas, enfim, somos humanos e queremos sempre mais. Mas tenho a plena consciência de que muitas coisas dependerão única e exclusivamente de mim mesma. Inclusive minha felicidade. 
Então, que 2014 seja um ano iluminado, que sigamos trilhando no caminho do bem, mesmo quando pensarmos que o mal está mais forte, que ele não prevaleça. Que tenhamos coragem de fazer novos amigos e acreditarmos nos seres humanos, mesmo conhecendo e sabendo desta nossa odiosa natureza humana. Que saibamos plantar coisas boas, mesmo que o terreno nos pareça infértil, mesmo que a terra pareça dura, porque tudo o que plantarmos, certamente colheremos mais tarde. E, por favor, que nesta colheita saibamos que colhemos apenas e somente aquilo que plantamos, não podemos esperar por algo que não semeamos. Que saibamos cultivar as velhas amizades, para que permaneçam conosco pelos próximos anos que virão. Que tenhamos força para amar, mesmo quando não formos correspondidos. Que nossas quedas nos ensinem a levantar mais fortes. Que tenhamos esperança de dias melhores nos momentos de desespero. Que saibamos conviver conosco nos momentos de solidão, pois somos a única companhia que teremos no final de tudo. Que façamos mais leituras, que cultivemos mais o nosso cérebro, porque ele será a única coisa que nos restará quando não tivermos mais a nossa juventude. Que tenhamos perseverança para continuar estudando, pesquisando, que sejamos curiosos, que tenhamos a capacidade de fazer mais perguntas do que de dar respostas. Que estejamos abertos para as mudanças, mas que elas não nos façam perder a nossa essência. Que sejamos livres, leves e que tenhamos fé, seja no que for, para que saibamos nos responsabilizar por nossas escolhas, mesmo quando não forem as escolhas certas. Que, em meio a tanto caos, sejamos capazes de ver o que a vida tem de bom, que possamos nos regozijar em meio a natureza, sempre agradecendo a Grande Mãe pelo maior presente que nos deu: a possibilidade de partilharmos destas maravilhas com nossos irmãos. 
"Tudo o que não me mata, me fortalece." - disse Nietzsche e penso que talvez esta seja a frase que mais resume a nossa existência neste planeta insano. Então, que esta consciência prevaleça em nós quando pensarmos que tudo está perdido. 2014 é só mais um ano. Não será fácil, porque viver não é fácil, mas depende de nós tornarmos ele mais leve, mais cheio de amor e de harmonia... 
Que venha 2014! Estou pronta! E vou me levantar mais forte cada vez que cair e valorizar mais e mais os momentos felizes e aqueles que estão ao meu lado partilhando de todos eles!
Que este seja um ano de evolução e de colheita! 

sábado, 5 de outubro de 2013

Ele era simplesmente aquele que suportava calado e de olhos fechados quando eu me ausentava de mim mesma. Sou assim, me afasto quando estou triste. Penso que as pessoas não tem de suportar caras amarradas e lágrimas alheias. A vida já é difícil para cada um de nós sem isso. Mas ele, ele ficava lá. Sem dizer uma só palavra.
Quando todos os outros desistem, ele me agarra pela mão e não deixa que meus temporais me carreguem. Aparece em sonhos e com apenas um olhar ressignifica tudo ao meu redor. A impossibilidade de tê-lo por perto faz com que o vazio aumente e cada vez mais e mais me sinto desconectada e distante deste mundo.
Sou eu que estou errada? Quando me afasto e me calo em minha dor... Quando, ferida e quase morta pela pancada, junto o que me resta de forças para isolar-me deste mundo tão cruel? Ele não me julga. Nunca me julgou. Mas sempre fica por perto, mesmo quando eu o mando embora. Abraça-me e sorri, sabe que não é a ele que quero agredir. Entende que é apenas o meu jeito de pedir socorro. 
Tento respirar fundo antes de me jogar no abismo. A queda é inevitável. Mas evito afogar-me em minhas próprias lágrimas. Porque segunda-feira está aí e já tenho que acordar cedo e fazer tudo aquilo que me afasta mais ainda de mim mesma. E sorrir e falar coisas sem sentido para conviver com pessoas que nada me acrescentam. Minha casa, meu castelo, meu porto seguro, volto dos espólios da guerra. Cada novo dia uma nova batalha travada. Contra os outros e contra mim mesma. E ele me espera. Hoje percebi que ele não me traz segurança, ele me traz paz. Só isso. A paz que eu preciso para ir adiante. A paz que eu preciso para manter desperta a minha essência.
Muitas vezes respirar fundo não é o suficiente. A dor sufoca. Aperta a garganta. Engulo a saliva e sinto gosto de sangue. Parece que tudo ao meu redor está partido, fragmentado. Falsos amores, falsos amigos, falsa compreensão do que sinto, de como sinto. As pessoas sorriem e em nada consolam. É como se eu flutuasse em um mundo à parte. Aprendi desde cedo que os bons são os que mais perdem. Lógica inversa e perversa. Mas jamais pensei que seria tão difícil conviver com isso. Jamais! Ele aqui, tão perto de mim, tão longe de mim, me lembra que nem sempre foi assim. Mas o mal finalmente venceu. E quem é bom precisa viver à espreita, escondido, como se fosse um crime ser benevolente. Não quero lembrar e não consigo esquecer. 
Deito-me em minha cama, embaixo de cobertas bagunçadas e, como se estivesse em uma concha, protegida de tudo, adormeço, para, quem sabe, encontrá-lo no mundo dos sonhos. Sei que ele está ali, esperando por mim, para acalentar minha tristeza e falar com o olhar que tudo ficará bem, tudo vai dar certo.
A distância ainda me atormenta porque não sei esperar. Queria que me pegasse no colo porque não sei lidar bem com estes tantos eus em mim. Eu só queria ficar bem. Queria sentir, nem que fosse só por um dia, que faço parte deste mundo. Mas ele sorri e me diz, sem dizer nada, que eu não pertenço mesmo a este lugar. Que meu mundo está esperando meu retorno, mas que isso não vai ser no meu tempo, mas no tempo deles. Por que nos separaram? Por que quiseram que eu e não ele viesse para este lugar? Eu sei a resposta. Mas não quero aceitar.
Não sei ser filha, não sei ser mãe e não sei ser irmã. Não sei nem se sei ser gente. Os animais sempre tocaram mais a minha alma. Quando estou com eles sei que posso ser eu mesma. Discurso velho, esse. É porque é difícil agradar as pessoas. Algumas vezes quero abraçar, mas sinto que não querem o meu abraço, outras, como ontem, com meu filho, sinto que querem o meu abraço, mas sou eu que não quero abraçar. Fazer o que se quer, neste sentido, pode - e certamente vai - ser mal interpretado. Julgam-nos egoístas quando fazemos o que queremos. Mas ele não. Ele somente fica. Mesmo quando todos foram embora. Eu tenho pressa e ele me acalma. Eu quero agora e ele ensina a aceitar o depois. Eu quero partir e ele pede pra ficar um pouco mais. Quando penso que perdi minhas forças, ele me mostra que ainda posso prosseguir. 
E assim vou vivendo. Distante sem querer. Partida em mil pedaços, mas sempre inteira aos olhos dos outros, Apenas mais uma alma atormentada em meio a tantas almas atormentadas. O inferno é aqui, alguém disse algum dia. Eu concordo. Não pode ser pior do que isso. Nada pode ser pior do que isso. Mas eu tenho meus refúgios. Vou voltar para a cama, meus gatos me esperam. Ele me espera. Porque desde sempre é só o que ele tem feito. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Entre erros e acertos: por um professorado mais ético!





Comprometimento: 1. Ação de arcar com um compromisso feito a alguém, se utilizando de regras propostas a fim de se alcançar a exatidão do ato ou ação. 2. Qualidade de ater-se às escolhas feitas. Começo este texto com a palavra de ordem do momento: comprometimento. Ainda segundo o dicionário, alguns de seus sinônimos são: envolvimento, compromisso, responsabilização. Conheço bem estas palavras. Mas, ao voltar de um congresso de educadores, tudo o que fiz foi lamentar ao perceber que a maioria de meus colegas desconhece tais significados. O que venho fazer aqui nesta postagem hoje, amigos, é muito mais do que lamentar, é, também, denunciar.

Participei no penúltimo final de semana de um congresso voltado a professores e funcionários do Estado que são sindicalizados (coisa que sou desde o primeiro ano em que entrei no exercício de minhas funções), com o objetivo de deliberar algumas resoluções sindicais que são de extrema importância aos interessados. Algumas das coisas discutidas tem profunda relação com a sala de aula, com o pleno exercício de nossas funções na escola, como o processo de inclusão e o ensino médio politécnico. Mas, entre outras coisas, também foram discutidas e, vejam bem, votadas, escolhidas, outras resoluções de suma importância, tais como projetos de meio ambiente e sustentabilidade, aposentadoria e contratação emergencial e um possível rompimento do sindicato que nos representa com a CUT (Central Única dos Trabalhadores), este último, com certeza, um divisor de águas histórico para a categoria. O encontro fora dividido em dois momentos: no sábado, todos foram divididos em grupos para votarem e discutirem as resoluções que entrariam na discussão e votação do grande grupo. No domingo, tudo que fora escolhido no dia anterior entrou em votação e deliberação de TODOS. 

O que tenho para dizer aqui me é penoso e vergonhoso, mas tem de ser dito. Todas as pessoas que são sindicalizadas sabem a importância que tem o sindicato nas muitas lutas e conquistas dos trabalhadores. Há uma contribuição mensal que é descontada em folha que paga as custas do sindicato. Portanto, àqueles que tem a falsa crença de que a viagem e tudo o mais fora de graça, tenho uma notícia para dar: saiu do meu, do teu, do bolso de todos que contribuem e que, por um "acaso", não puderam estar presentes no evento. Pois bem. Toda a viagem, incluindo despesas com hotel, comida e tudo o mais foi bancada pelo sindicato, visando a importância do momento para a categoria. Mas, como eu disse anteriormente, fomos todos nós que pagamos, portanto, a representatividade nas votações era o mínimo esperado por todos aqueles que também ´pagam o sindicato e que por ventura não puderam estar lá. O que tenho para dizer é lamentável. Uma parcela bem grande, inclusive do grupo do qual fiz parte, do 14º Núcleo do CPERS, foi pelo turismo. Isso mesmo. Até mesmo porque tem a falsa crença de que era "boca livre", esquecendo de que sai do bolso de todos, até mesmo deles próprios. 

No sábado, quando as resoluções foram votadas nos grupos menores, tinham algumas "delegações" vendendo pacotes de turismo, para fazer compras em Farroupilha. Por vinte reais, uma van pegava você em frente ao local do evento e você poderia passar a tarde no shopping, enquanto os colegas comprometidos ficaram lá por mais de 3 horas votando em temáticas que são importantes - como eu já mencionei acima - a todos. Este foi o primeiro absurdo de muitos outros que ainda estavam por vir. Já sabemos que uma boa parcela dos escolhidos a participarem do evento optou pelo turismo, mas ainda temos uma outra parcela. A parcela dos que ficaram dormindo nos ônibus enquanto o evento ocorria. Sim, isso mesmo que vocês acabaram de ler. Pessoas que ficaram não só na tarde de sábado, por talvez terem considerado que a tarde de domingo seria mais importante, mas que também passaram a tarde de domingo inteira, passeando no local do evento ou dormindo dentro dos ônibus. Lógico que esta denúncia é importante e tenho plena consciência de que, a partir dela, muita gente poderá "ficar de mal" (notem que sequer menciono o risco de perder o emprego) - porque o chapéu certamente irá servir. Mas sinceramente, não me importo. Ando cansada dos abusos e absurdos que tenho visto. E, como disse outrora, tenho a palavra como principal arma na luta contra a injustiça. E seguirei lutando, uma vez que, como dizem, vivemos num país democrático.

Isto não é tudo, gente. depois de ter participado ativamente em todos os momentos do evento ( domingo foram mais de sete horas sentada votando e ouvindo defesas das resoluções), de ter valorizado o meu dinheiro e os dos milhares de colegas que também contribuem e que não se fizeram presentes no evento, ainda tem mais, muito mais, a ser dito. Preparem-se, não será agradável.

Não sei contabilizar quantas pessoas tinham no evento, mas possivelmente passaram das três mil. Como já disse antes, era voltado para professores e funcionários de escola, mas, com certeza, a maior parte era composta por educadores, com formações das mais diferentes áreas, mas que atuam ou atuaram como professores em escolas do Estado, oriundos das mais distintas regiões do Rio Grande do Sul. Os serviços de restaurante e de limpeza foram contratados pelo CPERS para atuarem no local e, com certeza, não há reclamações de tais serviços prestados. A comida era sempre de primeira e nunca faltou a quem quer que seja. Os hotéis, por sua simplicidade, em algumas cidades, talvez tenham deixado a desejar. Mas eu, pessoalmente, não tenho do que reclamar. Já fiquei em lugares muito piores. E não sou e nem nunca fui rica para exigir mais do que isso. 

Então, caros colegas, exatamente por ser um congresso de professores, algumas coisas que vi e ouvi por lá me foram pesarosas por demais. Decepção com a classe e com a profissão. Triste, triste, triste. Os relatos começam desde a primeira noite, onde, na fila para o jantar, muitos - muitos mesmo - furaram fila, aderindo ao bom e velho "jeitinho brasileiro". Ridículo. As filas que se formavam a cada refeição eram enormes, considerando-se o número de pessoas que tinham, mas, como comentei antes, não faltou comida a quem quer que seja. Pessoas invadindo lugares, correndo para o buffet, como se fosse o último momento em que comeriam algo em suas vidas. Algo que costumamos ver talvez em shows de grande porte, com adolescentes, mas que nunca em minha vida pensei que veria acontecer com pessoas maduras e com certa caminhada na área da educação. 

Nos banheiros, haviam placas improvisadas pela organização que solicitavam que não se jogasse erva de chimarrão nas pias. Isso mesmo. Difícil de acreditar, mas, as pessoas fizeram este tipo de coisa, sempre com aquela ideia de que as pessoas que estavam lá trabalhando estavam lá para "servir". Assim que tratam os funcionários em suas escolas. Assim que agem o tempo todo, destratando lojistas, motoristas, atendentes, pessoas honestas que estão também - ora vejam só - ganhando seu sustento, através de um trabalho minimamente digno. Como disse em uma outra postagem, os nossos diplomas compram arrogância e prepotência. Junto com eles, vem a falsa ideia de que somos mais do que outros e que nossos saberes são mais importantes do que os dos demais. As meninas que estavam trabalhando na limpeza e manutenção dos banheiros, meus deuses, estavam assustadas. E com razão. Era animalesco. Até seria ofensa dizê-lo porque até meus gatos limpam a sujeira que fazem. Professoras que se achavam no direito de colocar papel toalha no chão, como se fosse um chiqueiro. E papel toalha de ótima qualidade, diga-se da passagem. Deu-me pena. Um gasto exacerbado com coisas que poderiam ser poupadas, que poderiam ter sido gastas em outras coisas. Mas, imperou a falsa ideia de que "era de graça mesmo, então vamos gastar." Falta de consciência, falta de educação, falta de humanidade. 

Vindo de outras pessoas, talvez, pudéssemos usar daquela velha desculpa de que não tiveram educação. Mas, minha gente, estamos falando de pessoas diplomadas. Pessoas que, a meu ver, não devem ter comprado seus diplomas... Ou será que compraram? Por estas e outras coisas que insisto em dizer que formação não gera caráter. Diploma não compra sensibilidade. Curso nenhum no mundo humaniza. Isso está ou não está em nós. Simples assim. Ou não tão simples... A questão é que é chocante e lamentável. Somos pessoas que trabalham com seres humanos, mas percebo que muitos de nós sequer são humanos. Como humanizarmos, como exigirmos algo de nossos alunos que nós mesmos não somos capazes de fazer? Eis a questão... E essa pergunta não vai calar. 

Queremos unidade numa classe que não tem caráter. Onde, dentro das escolas, passamos levando rasteiras de colegas que eram para ser parceiros. Além de todas as preocupações que temos, temos de tentar nos livrar das garras de pessoas que não tem ética e nem moral para estarem dentro das escolas. Mas estão lá, com seus empregos garantidos por uma gestão que protege e esconde arbitrariedades. Vítimas de nós mesmos. Não tem como ser classista numa raça como esta. Não tem mesmo. As pessoas reclamam dos advogados, mas insisto em dizer que o professor ainda é a pior classe que existe. E deveria ser a melhor. Insistimos em dizer que somos desvalorizados, que nossos salários são baixos, mas estamos sempre dando um jeito para não cumprir nossa carga horária. Sempre escamoteando, escondendo, jogando. O que é isso, minha gente? Até quando? Chega de hipocrisia! Chega de proselitismo! 

Estou decepcionada. Nunca sonhei em ser professora, mas, a partir do momento que me tornei uma, fiz jus a cada minuto em que cumpri este papel. Perdoem-me os hipócritas e medíocres. Mas não me contento em ser mediana. Se não for para fazer a diferença, mínima que seja, na vida do meu aluno, eu nem trabalharia. Me esconderia atrás de um balcão qualquer e me incomodaria bem menos. Mas sigo lutando porque tenho ideais. Parem de reclamar e arregacem suas mangas. Façam por merecer o cargo que ocupam. Participem, opinem, sejam críticos e, principalmente, tornem seus alunos críticos também. Vale a pena. Caso contrário, pendurem suas chuteiras, mudem de área, aposentem-se. O mundo já tem gente desonesta e déspota o suficiente. Não precisamos que este tipo de gente esteja nas escolas. Vocês estão na área errada se acreditam que ficarão mais ricos tirando vantagem. Aqui todo mundo segue ganhando igual e, vou dizer uma coisa para vocês, tem gente que nem merecia o parco salário que recebe. Eu faço minha parte, e você?

"Manhê! Tirei um dez na prova
Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova
Decorei toda lição
Não errei nenhuma questão
Não aprendi nada de bom
Mas tirei dez (boa filhão!)
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci
Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi
Decoreba: esse é o método de ensino
Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino
Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos
Desse jeito até história fica chato
Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo
Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo
Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente
Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente
E sei que o estudo é uma coisa boa
O problema é que sem motivação a gente enjoa
O sistema bota um monte de abobrinha no programa
Mas pra aprender a ser um ingonorante (...)
Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)
Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre
Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste
- O que é corrupção? Pra que serve um deputado?
Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!
Ou que a minhoca é hermafrodita
Ou sobre a tênia solitária.
Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (...)
Vamos fugir dessa jaula!
"Hoje eu tô feliz" (matou o presidente?)
Não. A aula
Matei a aula porque num dava
Eu não agüentava mais
E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais
Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam
(Esse num é o valor que um aluno merecia!)
Íííh... Sujô (Hein?)
O inspetor!
(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)
Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar
E me disseram que a escola era meu segundo lar
E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente
Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!
Então eu vou passar de ano
Não tenho outra saída
Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida
Discutindo e ensinando os problemas atuais
E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais
Com matérias das quais eles não lembram mais nada
E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada


Encarem as crianças com mais seriedade
Pois na escola é onde formamos nossa personalidade
Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância, a exploração, e a indiferença são sócios
Quem devia lucrar só é prejudicado
Assim vocês vão criar uma geração de revoltados
Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio
Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio..."

(Estudo Errado, Gabriel o Pensador)




sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quando a mudança acontecer, seus filhos e netos vão nos agradecer!

Resolvi me manifestar... Não porque estou apoiando os jovens nos manifestos, mas porque me considero uma pessoa bem politizada... Sempre votei com consciência, sempre escolhi a dedo meus candidatos, sempre fui petista porque considerava que os esquerdistas entendiam melhor as necessidades do povo. 
Sabemos da história, sabemos que os principais líderes dos movimentos que aconteceram no passado eram de partidos de esquerda. Querem que os cite aqui? PC do B, PSTU, PT, dentre outros. O próprio PSol surgiu de a partir de antigos partidários que encheram o saco das coisas que viam em seu partido, foi uma reação, por assim dizer. 
Nas últimas eleições presidenciais, votei na Heloísa Helena no primeiro turno. Votei mesmo. Porque ela é uma defensora do meio ambiente em primeiro lugar. E por outras razões que não preciso discorrer aqui. No segundo turno, votei na Dilma. Bom, o PT não foi de todo ruim... Fiz minha faculdade como bolsista e todos os meus estágios dentro do partido. Mas daí foi aí que a minha decepção começou... 
Para governador, votei no Tarso, dei um tiro no meu pé. O cara prometeu mudanças na educação, mas tudo o que fez foi rir na cara dos educadores. Ouvi e vi toda a bancada do PT se retirar da assembleia legislativa quando foram votar pelo pagamento do piso. Neste mesmo dia Paulo Odone e outros direitistas do governo falaram em favor do professorado, nunca pensei que viveria para ver isso!
O fato é que vivemos um governo populista, outrora protagonizado por Getúlio Vargas e hoje protagonizado por aqueles em quem acreditamos. Um governo que acolhe os ricos e joga migalhas aos mais pobres. Migalhas estas sustentadas por nós, classe média. Somos nós quem mantemos tudo com os impostos que pagamos. Sim, porque empresas de grande porte (e igrejas, diga-se de passagem) tem isenção de impostos neste país de merda porque geram empregos(?) - vale observar que são subempregos em sua maioria, porque grandes cargos já estão marcados e escolhidos a dedo. Mas, como promessas são o ópio do povo, vamos lá!
E aí eu vejo várias manifestações contrárias ao que tem acontecido... Pessoas comentando que o povo desconhece os 3 poderes, não sabe a quem recorrer... Peloamordedeus, gente, o que é isso? Se fosse assim tão fácil, teríamos mesmo de ir às ruas? Hoje fomos em frente ao palácio do governo em Porto Alegre e o nosso governador recusou-se a receber as lideranças sindicais que representam os professores. Será que adiantaria, simplesmente irmos aos locais  e tentarmos conversar? Agora tudo se tornou ilegítimo! 
A luta se tornou apartidária a partir do momento em que os líderes que antes empunhavam as bandeiras contra a corrupção se tornaram os corruptos. Simples assim. Eu não votaria mais no PT. Mas, tenho analisado candidatos e tenho votado em propostas e não mais em partido. Se algum candidato de direita tiver proposta coerente, eu voto. De boa. Porque o que está em jogo não é mais este ou aquele partido, mas a coerência entre discurso e práxis. 
Depois fizeram uma baita confusão entre os significados das palavras "apolítico" e "apartidário". Penso que todo mundo que está na rua sabe a diferença. O movimento não é apolítico, porque obviamente tem uma intenção política, não está na neutralidade. Mas pode ser apartidário, sim. Pelo motivo que expus acima e por tantos outros. 
O foco da luta é o fim da corrupção. O povo acordou porque está cansado. Hoje vejo tanta gente do PT questionando a legitimidade do movimento, mas, pergunto, se fossem partidos de direita no poder fazendo a mesma coisa, vocês não estariam nas ruas? Estariam! 
Aí estão falando que somos peças nos jogos midiáticos... O próprio governo não está vendido aos maiores veículos midiáticos do país (lê-se Rede Globo e RBS)? Quem assistiu o documentário Além de Cidadão Kane sabe que só é eleito neste país quem a mídia escolhe. Eles manipulam debates, manipulam estatísticas, manipulam nossas mentes pobres de informação. Mentes empobrecidas, aliás, pela própria programação. https://www.youtube.com/watch?v=049U7TjOjSA Este é o link do documentário, para quem não assistiu, assista, vão entender muitas coisas... Daí, nós, simples peças nos jogos midiáticos, devemos desacreditar quando a mídia fala de mensalão, mas, em compensação, devemos crer quando a mesma mídia fala de vandalismos e pinta uma imagem de criminalidade aos protestos, apoiando uma polícia que bate e não dialoga. Isto, sim, seria comparável aos tempos de ditadura militar, não seria? Penso que somos peças nos jogos de poder partidários, isso, sim. E estamos, finalmente, acordando. Vou falar que a cura gay, o investimento de bilhões na copa do mundo, a corrupção, a tentativa de retirar certos poderes do MP são motivos mais do que óbvios para que a massa combata. Sinto muito se a bola da vez é o PT. Eu saí da minha casa, sim. Não sou mais petista, a partir do momento em que percebi que o mesmo cara que assinou a lei do piso, o renega aos seus trabalhadores, a partir do momento em que percebi que há fragmentação de discurso dentro do próprio partido, onde linhas políticas antagônicas se espremem e se confrontam. Decepcionei-me, como muitos brasileiros. E como não estou satisfeita, fui às ruas, junto com a juventude. Estou ensinando política aos meus filhos deste modo porque eles estão lá comigo e sabem porque eu luto. Sou professora, militante das causas justas e politizada, sim. Por isso, exatamente por isso, que apoio o movimento! Porque o meu discurso não muda de acordo com o partido que está lá em cima. Ele segue sendo coerente com as coisas em que acredito. E, sinceramente, se continuarmos andando deste jeito, logo, logo, voltaremos ao tempo da perseguição às bruxas. Sou uma delas!