sexta-feira, 25 de abril de 2014

O que faz uma pessoa apaixonar-se? Tenho observado casais felizes nas ruas, transportes, bares que frequento e fico me fazendo essa pergunta praticamente o tempo todo. Como afirmar que são realmente felizes? Não sei... Aparentam ser, apenas. E nos acostumamos a olhar sempre o lado de fora. Pensamos: "o que um guri tão bonito faz com essa menina sem sal?" ou "o que uma mulher tão interessante faz com um imbecil destes?". Desconhecemos as histórias de cada um, como se cruzaram, o que fez com que uma simples troca de olhares se tornasse um amor tão duradouro. Claro que existiram razões de ser destes amores. Cada um sabe das dores e delícias que passaram juntos, isso é fato.
Em minhas andanças tenho visto muita coisa... Durante muito tempo pensei que não vivia um grande amor porque estou meio que acima do peso, por assim dizer... Ou porque tenho filhos, já tenho uma história... Mas não. Vejo muita gordinha e mãezona recebendo olhares apaixonados... Talvez seja o meu cérebro, cultivei-o demais. Talvez eu assuste os pretendentes a amantes e amados com a minha personalidade e independência. Vai saber....
Mas, fazendo uma análise das relações de hoje e do modo como a maioria começa, através das redes sociais, sinto um esvaziamento de significados e de significantes... Vou explicar... Conheci o mundo virtual na faculdade, com o bom e velho Orkut. Naquela época, ainda escrevíamos e-mails enormes, tipo carta, para conversarmos com as pessoas... Pois bem, muito tempo desde lá passou e, nessa minha vida de pós casada e nova solteira do pedaço, muitos e muitos sites de relacionamento me foram indicados, desde chats do Terra até Badoo, pra vocês terem ideia do que estou falando. Conheci muitas pessoas através destes meios, não serei hipócrita em negar, mas, acompanhei de perto as mudanças sociais ligadas a estes processos que ocorreram bruscamente em menos de dez anos.
Hoje em dia temos até APPs em celular. Tinder, um APP que te dá um vasto cardápio de pessoas que moram próximas de você, para que você vá aprovando ou não, de acordo com gostos pessoais, fotos e algo que pode ter ou não escrito no perfil. O site vai formando combinações quando você curte e a pessoa te curte de volta. Muito parecido com o Badoo, mas no celular, ao alcance de sua mão. O WhatsApp foi outra grande revolução no mundo virtual. Todo mundo tem, é praticamente uma obrigação. Eu, quando não tinha, até pouco tempo atrás, me sentia uma extraterrestre no mundo. Permite enviar e receber fotos, mensagens instantâneas, vídeos que podem ter sido feitos em tempo real. Enfim, eis a modernidade facilitando encontros amorosos.
De fato quando analiso as tecnologias, não sei dizer se elas nos desumanizaram de certa forma ou se nos desumanizamos através de outros processos e as tecnologias deixam isso mais aparente. Mas a questão é que, com a facilidade de escolher e com a infinitude de opções que temos, virou moda não olhar nos olhos. Dizer "eu te amo" pra levar pra cama está mais banal do que nunca. As pessoas são descartadas com a mesma facilidade com que são aceitas. E mais, muito mais do que já foi dito aqui... Beleza interior? Inteligência? Estudo? Cultura? Nããããoooo! Você vale muito mais pela beleza que mostra na sua última foto do Instagran...
Espiritualmente falando, não sei onde isso tudo vai nos levar. Onde estão os conceitos básicos de karma? De troca de energias? Não podemos banalizar o que não é "banalizável"! Somos, sim, responsáveis por aqueles a quem cativamos, por isso, cuidado com falsas promessas, cuidado com mentiras e com máscaras. Volta pra gente de uma maneira que nem imaginamos, isso é certo. Não brinque com os sentimentos dos outros, jamais! Você pode ter que reencontrar essa pessoa em outras vidas para um possível acerto de contas.
Outra questão da qual as pessoas não se dão conta é a da troca de energias... Sem falsos moralismos, não é isso! Sexo é bom e todo mundo gosta... Mas não dá pra sair por aí instintivamente fazendo com todo mundo. Afinal, diferente dos bichos, nossos amigos, somos racionais. Não somos? Precisamos ter cuidado com nossos chacras, nossos centros energéticos. Eles se desarmam com certa facilidade e depois, pra fechar, haja paciência! Somos radares de energias. Precisamos cuidar com quem trocamos porque ficamos vulneráveis... e a energia sexual é coisa séria! Mesmo! Pensem nisso antes de tentarem algo com a(o) menina(o) linda(o) do Tinder... Conheçam a pessoa. Importem-se com a história dela. Até porque existem mais psicopatas no mundo do que sonha a nossa imaginação.
Os tempos modernos urgem, temos pressa, trabalhamos demais, temos mil coisas a fazer ao mesmo tempo, isso faz com que em determinados momentos sejamos um pouco superficiais... Mas isso não deve significar esse desamor que temos vivido... E está tudo errado! Os meninos mais novos querem as mulheres mais velhas pela garantia de sexo rápido e sem compromisso ... Os caras mais velhos querem as meninas mais novas porque são mais "gostosas" na aparência e, de certa forma, isso lhes confere certa sensação de poder perto de seus amigos...
Assim, dentro dessa era tecnológica, vamos nos perdendo, de nós mesmos e dos outros, deixando que coisas tão boas e simples de uma relação a dois se percam num tempo-espaço em que não poderemos voltar... E, adentrando uma lógica empresarial desenfreada que passa a fazer parte de nosso cotidiano, deixamos de ser um sujeito, com nome e história próprios, para sermos apenas um número... Um número que pode - e certamente vai - ser substituído por outro e assim sucessivamente... A concorrência é grande e desleal. Por isso, pense bem antes de ir pro(a) próximo(a)...

quinta-feira, 20 de março de 2014

O silêncio do celular

E aí o celular deixa de tocar... No começo, você estupidamente olha pra ele milhares de vezes e, como não há nada de novo, você se pega relendo as mensagens pela... pela milésima vez e tentando descobrir onde está o erro, onde foi o momento fugaz que culminou neste silêncio avassalador... Um silêncio que corta, invade todos os espaços e que definitivamente não tem como fugir, fingir que não está lá. O silêncio do celular preenche você dele, como se tudo a sua volta silenciasse também. E você passa horas, dias, semanas, olhando pro visor e esperando uma única mensagem, uma única frase, que seria capaz de te salvar de si mesmo. Mas não. A mensagem não vem. E, conforme os dias vão passando, você vai deixando de olhar e vai doendo menos, mas, ainda assim, sempre que você olha o aparelho, sente aquele vazio... 
Aí você baixa músicas legais, troca a capa do celular, tenta achar outras utilidades legais pra ele, mas sempre, sempre que vê aquele sinal de mensagem, o velho frio na barriga volta e aquele resquício de esperança de que pode ser a pessoa, pode ser a tal mensagem que iria salvar o teu dia, a tua semana, o teu ano... Mas não é... E mesmo a mensagem do amigo mais querido perde a graça neste momento... Tudo ao redor já está em preto e branco... 
Na impossibilidade de ter a pessoa de volta, na impossibilidade de ter alguma explicação pelo sumiço, na impossibilidade de voltar a receber tais mensagens, você, depois de alguns dias no mais completo vácuo, finalmente cria coragem de apagar os arquivos já lidos e relidos incontáveis vezes, aquelas mensagens que outrora te fizeram tão feliz, mas que, agora, são apenas palavras soltas a um vento que as carrega para longe da significância que um dia tiveram. Sem elas, o celular fica mais leve de carregar, embora o coração ainda pese.
E todos os dias quando você acorda pela manhã se pergunta quando é que vai ter fim, quando é que o tempo, amigo tão fiel na hora de curar feridas, vai finalmente te distanciar dessa dor maldita, porque, cada vez que toca o despertador, você sente como se carregasse o peso do mundo nas costas, sem ninguém para dividir isso contigo. O trabalho, as leituras, as músicas, deixaram de ter sentido. e, ao olhar para os lençóis revirados da cama que você acabou de levantar-se, vem à tona a lembrança da noite dormida juntos, de ter acordado naqueles braços e de tudo o que foi sentido naquele momento. O primeiro olhar pela manhã. O beijo de bom dia... Coisas que pra você ficaram guardadas como um tesouro, pra ele, talvez não tanto...
Na verdade nem é culpa de ninguém, ambos sabem disso, foi meio que aquela coisa de pessoa certa, lugar errado, ou pessoa errada no lugar certo, vocês nunca irão saber, nunca! O tempo vai passar e tudo o que vai ficar é a lembrança daquilo que poderia ter sido, dos momentos que poderiam ter dividido e não o fizeram por motivos categóricos de suas vidas. O pão quentinho na padaria, o passeio com o cachorro, a caminhada no parque em um lindo por do sol de inverno. A chuva fria nos rostos dos dois naquele encontro casual no final de tarde, as brigas, os filmes de sábado à noite quando dispensaram ir pra um bar com os amigos, os cinemas de domingo... Tudo isso ficou pra trás. E sempre, pro resto de suas vidas, aquela expressão: "e se" irá permear seus pensamentos na hora de dormir... E a saudade louca de tudo o que ainda não viram se manifestará nos momentos mais insólitos, seja na reunião de trabalho, seja ao abraçarem outras pessoas... A dor permanece, mesmo que em um lugar distante. E você nunca terá certeza se dói nele como dói em você. Porque a história, embora tenha te deixado marcas profundas, sequer teve um começo, quem dirá um fim. Ficará para sempre em suspenso... Em algum lugar entre o sono e o despertar... Porque é lá que ficam guardadas as histórias de amor, mesmo aquelas que não aconteceram. É naquele lugar em que elas acontecem, se tornam possíveis, mesmo que inconscientemente. 
E assim, o tempo vai passando e tornando as coisas mais leves, mais fáceis de serem suportadas... Ninguém pediu que você se entregasse, ninguém algum dia te disse que haviam esperanças e você sabe que trilhou por este caminho porque quis e que agora terá de enfrentar os tropeços sozinha. E levantar-se sozinha. Mesmo que não acredite que seja capaz. Mesmo que o celular não toque nunca mais... 


terça-feira, 11 de março de 2014

Ode à futilidade

Lembro-me como se fosse hoje do meu primeiro dia de aula na universidade... A referência que eu tinha de "instituição de ensino" era a escola onde cursei o ensino médio, uma escola bem grande... Mas, a universidade, nossa, era muito maior... Pensava que talvez por já se terem passado mais de sete anos que havia saído da escola, talvez já não me lembrasse mais das proporções... A universidade era gigantesca! E, na empolgação de iniciante, me matriculei nas cinco disciplinas, de segunda a sexta. 
Eis que chega o primeiro dia, segunda-feira à noite. All Star no pé, jeans surrado e casacos, muitos casacos, quem conhece o frio daqui no inverno sabe do que estou falando. Quem me conhece, duplica a quantidade de casacos porque sabe que sou mega "friolenta". Cheguei cedo, pois nem tinha ideia de onde era minha sala. Cedo o suficiente para me entediar de tanto tempo sem fazer nada... Soma-se a isso o fato de não conhecer ninguém naquele lugar que tinha milhares de pessoas. Ninguém mesmo. Andei pelos corredores tentando aparentar normalidade, mas estava apavorada...
Daí resolvi entrar no banheiro, um dos muitos milhares que tem por lá, mas era o mais próximo da sala possível, pois a hora já se adiantava. Tinha um espelho de fazer inveja em qualquer madrasta, que descobri mais tarde ter em todos os banheiros... Sem muitas delongas tentando dar uma guaribada no visual, já me encaminhava para uma das cabines para fazer o meu "xixi pré aula" - o primeiro de muitos outros que viriam depois - quando adentram o recinto três espécimes desprovidas de frio. Entre brilhos e paetês, cores de rosa e purpurinas, pude identificar mulheres loiras ali no meio... Naquele momento, olhei pra minha roupa simplória e me enfiei na primeira cabine que vi. Vergonha foi o primeiro sentimento que tive. "Será que todas as mulheres aqui se vestem assim?" - pensei. Enquanto fazia meu pipizinho, comecei a prestar atenção às conversas, tentando "pescar" os cursos. Deduzi que eram do Direito ou talvez, na pior das hipóteses, da Psicologia (pior das hipóteses porque sempre simpatizei com o curso). Daí, eis que a verdade se revela, quando uma delas menciona uma das disciplinas que havia visto no meu currículo. Pedagogas! Ou aspirantes a pedagogas... Mas ali estavam nada mais e nada menos que futuras colegas de curso. Muitas coisas passaram na minha cabeça: "Será que terei de me vestir assim?", "Vou ter de passar frio pra ganhar algum respeito aqui dentro?", mas, por fim, meu último e definitivo pensamento foi: "Tomara que eu não me transforme nisso no final do curso!" e esse pensamento me preservou de me contaminar com algumas coisas que fui percebendo ao longo do curso. 
Conto essa história porque hoje, quase três anos depois de ter me formado e de estar exercendo a profissão há quase quatro, seguindo firme com meu All Star e jeans surrado, entro no banheiro da universidade em que trabalho e deparo-me com outro exemplar curioso. A menina em questão vestia uma camiseta dos Ramones. Uhulll, algum leitor desavisado vai dizer... Mas espera... A tal da camiseta estava rasgada em lugares estratégicos, tal e qual eu mesma fazia na adolescência para não parecer tão masculina. Mas exageradamente rasgada. E com um corselet de renda branca aparecendo entre as fendas. Tranquilo se a descrição acabasse aí. Mas, não bastasse a camiseta estar forçadamente cheia de decotes cavados à tesoura, ainda estava por dentro da calça, adornada por um cinto de - pasmem - oncinha. Confesso que tive uma vontade louca de puxar conversa com a dita e perguntar que álbum do dito grupo ela mais tinha gostado. Mas tinha certeza de que a pessoa me responderia que só viu em uma vitrine qualquer e resolveu comprar, "já que está todo mundo usando"... Eu estava ali para escovar meus dentes antes de ir para a sala de aula e então tive tempo de ver a menina contemplando incansavelmente a própria bunda no espelho e fazendo um esforço descomunal para enfiar ainda mais a calça no bumbum. Algum método de tortura medieval? Auto punição no estilo seita secreta da igreja? Não seria mais fácil um silício? Tipo, escovei os dentes, entrei na cabine pra fazer o meu "xixi pré aula" e, quando eu saí, a menina continuava no mesmo processo: puxando e puxando a calça pra cima e olhando a bunda no espelho. Saí do banheiro mais do que depressa com medo de ser infectada por essa doença e fiquei pensando: "Tenho que me manifestar sobre isso!"
Vivemos um processo feminista do qual tenho questionado muito. No passado, nossas antecessoras lutavam por igualdade de oportunidades, respeito, dignidade, hoje lutamos por sermos iguais aos homens dentro de um processo histórico que é impossível de apagar. Essa banalização do corpo feminino é culpa dessa desvirtuação da luta. Somos donas de nossos corpos, sim, mas devemos explicações a algumas pessoas a respeito do que fazemos com eles. Simples e direto. Fácil de entender. Será que essas meninas se contentam em serem meros objetos de consumo? Será que academia é mesmo mais importante do que cérebro... Vish, discussão longa, essa... E nem quero entrar, aqui, nos méritos desta questão. Algumas pessoas irão dizer que é recalque, mas não, longe disso... É pena mesmo... Porque reconheço a minha história e me reconheço nela... Cada marca, cada gordurinha, cada celulite é fruto de uma vivência. Sou livre e jamais serei escrava de moda alguma. Essa é a liberdade pela qual essas pessoas deveriam estar lutando. Não ao modismo, não às padronizações, não ao consumo deliberado, inclusive de nós mesmas... Minha barriguinha é fruto de dois partos bem sucedidos que me enchem de orgulho todos os dias. Por que deveria me envergonhar dela? 
Tirando a questão política da coisa toda, outra coisa me ocorreu, essa semana em que estou mais suscetível a observar casais e esses romances que nos cercam no dia a dia - estava escrevendo sobre isso, mas perdi a inspiração de repente - acabei dando-me conta de uma coisa trágica: meninas assim, lindas, com a calça enfiada no rabo e vazias são a preferência nacional dos homens. Os caras buscam meninas assim para namorarem e casarem, para apresentarem às suas famílias. Para o desespero de irmãs, mães, primas que cultivam um pouco o cérebro e tem de fazer sala a esses seres anaencéfalos (sei lá como se escreve essa porra, mas deu pra entender)... O culto pelo vazio não é só culpa nossa, de parte da nossa espécie, que ouve Anitta, mas usa camiseta do Ramones... Mas também é culpa dos caras que não tem a coragem de assumir que preferem cérebro e atitude, sim, talvez não numa embalagem tão bacana...
E assim, minha gente, vai se perpetuando em nossa sociedade o vazio das relações, aquilo que mais odiamos em nós mesmos que, pensamos erroneamente ter surgido por causa da era digital que afasta as pessoas... Eu tenho orgulho de ostentar o meu All Star mesmo depois de pós graduada. Orgulho de não estar no padrão "pedagoga" de ser... E talvez até orgulho de ostentar, a essa altura do campeonato, um coração vazio... Porque, sinceramente, se não for pra somar, se não for pra ficar, que nem venha. 


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A Hora do Amor

Bom, por onde começo? Pensando bem, pelo começo... Mas onde seria esse começo? Quando eu nasci ou quando eu renasci? Difícil, bem difícil responder, porque eu renasci muitas e muitas vezes. E também já nem me lembro quando que foi a última vez em que morri... Mas sempre dói. Morrer e renascer tal e qual uma Fênix não é tarefa fácil. E nem é uma tarefa, pois não temos escolha de fazê-lo ou não. Simplesmente acontece.
Sei que quando morri pela última vez, renasci por causa dos meus filhos. Foram eles que me deram forças para, depois de queimar, ressurgir das cinzas e, pasmem, ainda mais forte... Hoje já não choro mais com tanta freqüência e não é mais qualquer coisa que me derruba. Pensei que meus problemas haviam diminuído, mas não... Na verdade fui eu que mudei diante deles. Quando digo que, a cada ressurreição, novas forças, não estou brincando.
Antes eu temia mudanças, terrenos insólitos e movediços, agora enfrento toda e qualquer novidade como uma guerreira. Se for vitória ou queda que me esperam, só o tempo irá dizer, mas já não me preocupo com antecedência e aceito as coisas como elas vem. Não é resignação. Longe disso. É força. Mas ainda estou aprendendo e ainda fico triste vez ou outra...
Hoje tenho maturidade para (re)pensar em certas coisas da minha vida. E também de assumir tantas outras. Durante tanto tempo permaneci focada em perdas, desencontros e sentimentos que hoje consigo me restabelecer e saber que é certo que ter com quem dividir as coisas é muito bom... se for a pessoa certa... Aquariana, independente e feminista – sem extremos – mas cheguei num ponto da minha vida que quero ter pra quem voltar todos os dias. Isso mesmo. Uma das coisas que a maturidade faz pela gente é ter a consciência do lado ruim da solidão.
Aqueles momentos batidos, sabem, que já foram tantas e tantas vezes descritos na história do mundo, cenas cotidianas de amores correspondidos. O estar junto porque simplesmente se quer estar junto, escolher estar ali quando se poderia estar em qualquer lugar do mundo. É acordar e dormir todos os dias com um só pensamento: a pessoa amada. Piegas. Eu sei... Mas quero isso pra mim. Tenho urgência em amar. Não. Tenho urgência em ser arrebatada por um amor que una todas as letras do Cazuza, Legião e Skank em uma mesma melodia. Uma pessoa que sinta isso por mim também e que esteja disposta a me olhar nos olhos sempre que disser que me ama. Uma pessoa que, tal e qual Henry Miller, sinta desejo por mim, independente de eu estar usando manequim 42 ou 44. Que reconheça que as oscilações em meu peso estão intimamente ligadas ao meu emocional e que esteja disposto a rir disso cada vez que aquela minha calça preferida não subir além das coxas. Porque eu volto ao 42, é só uma questão de tempo. E de comer aveia junto todo dia de manhã. Ou de ir naquele restaurante vegetariano que eu amo e que ele talvez nem goste muito.
Aquele cara que, apesar de eu me acordar todo dia cedinho de mau humor quando está frio, acorde junto e me faça rir de uma bobagem qualquer porque no fundo também não gosta de acordar cedo no frio e entende a razão do meu estado de espírito, mas nunca vai me falar isso. Uma pessoa que fique me olhando do nada, mesmo quando estou apenas escovando os dentes ou tomando café. Que me penetre com seu olhar, que me desvende, que me suporte. O homem que eu quero pra mim não pode ter medo de me enfrentar, principalmente quando eu me perco de mim mesma. É aquele que vai me segurar para que eu não caia em meu abismo, mesmo tendo de se preocupar com seus próprios abismos.
Não precisa ser perfeito, tenho consciência de que muitas vezes magoamos aqueles que mais amamos, pode ter barriguinha de chopp e tudo o mais. Não espero um deus grego. Mas tem de ser bonito na alma. Tem que ser bondoso e se compadecer com as injustiças como eu me compadeço. Aquele cara que vai trazer da rua os gatinhos que vir abandonados porque sabe que é isso que eu faria. O homem que vai me acompanhar nos domingos nas ruas pra dar comida aos cachorros de rua.
A cor dos olhos não importa desde que me reconheça dentre as milhares de possibilidades que sabe que existem. Que o brilho no seu olhar seja mais forte quando estiver olhando pra mim. Que seja capaz de desviar os olhos da televisão mesmo assistindo ao jogo decisivo do seu time, só pra me olhar. Mesmo que eu esteja apenas deitada na cama com os gatos, ou ocupada com os afazeres domésticos, com a “roupa de ficar em casa” e o cabelo desfiado preso em uma piranha ou um lápis qualquer.
Espero por aquele que irá preencher lindamente meus dias, que vai se preocupar com o horário que eu chego em casa e que, vez ou outra, irá até o meu trabalho para me buscar, não porque desconfia de mim, mas porque fica aflito esperando por notícias de minha volta segura pra casa e quer garantir que irei chegar bem. Uma pessoa que vai mandar mensagens de bom dia e de boa noite todos os dias. Que não vai ter medo de admitir que pensa em mim o tempo todo até para os seus amigos.
Tenho esperado por ele em todos os lugares. Tenho esperado encontrá-lo em toda a parte. Seja num dia ensolarado de verão, seja num dia chuvoso de inverno, que venha de mansinho, que venha pra ficar... E que seja infinito por todos os dias em que durar...

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O Universo une as pessoas que estão prontas


"ELE anda cansado das baladas e dos casos furtivos sem sentimentos. Aprendeu a gostar da própria companhia, sem precisar estar em uma turma de amigos todos os sábados. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que traga um sabor doce às suas manhãs, que seja a melhor companhia para olhar a lua. Que ele possa exibir os seus dons na cozinha e o seu conhecimento em vinhos, só para ela.
Quer uma mulher que ele reconheça pelo cheiro dos cabelos, pelo toque dos dedos, pela gargalhada que vai ecoar pela casa transformando um domingo sem graça, no melhor dia da semana. Quer viver uma paixão tranqüila e turbulenta de desejos… quer ter para quem voltar depois de estar com os amigos, sem precisar ficar “caçando” companhias vazias e encontros efêmeros. Quer deitar no tapete da sala e ficar observando enquanto ela, de short jeans, camiseta e um rabo de cavalo, lê um livro no sofá, quer deitar na cama desejando que ela saia do banho com uma lingerie de tirar o fôlego.
Quer brincar de guerra de travesseiros, até que o perdedor vá até a cozinha pegar água. Quer o poder que nenhum dos seus super heróis da infância tiveram… o poder de amar sem medo, sem perigo e sem ir embora no dia seguinte.
Quer provar que pode fazer essa mulher feliz!

ELA quase deixou de acreditar que seria possível ter vontade de se envolver novamente. Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar. Então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido. Decidiu que quer um amor verdadeiro… que pode nem ser eterno, mas que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz, quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.
Quer observá-lo sem camisa, lendo o jornal na varanda… quer reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida.
Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto. Quer beijar, cheirar, morder, beliscar e apertar para ter certeza que a felicidade está ali mesmo… materializada nele.
Quer provar que pode fazer esse homem feliz!

ELES estão por aí… sonhando um com o outro… talvez ainda nem se conheçam… mas é só uma questão de tempo, até o destino unir essas vidas que se complementam e estão ávidas para amar e fazer o outro feliz.
Ou alguém duvida que o universo traz aquilo que desejamos?"
By: Alguem

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A importância de deixar ir...

Sou uma pessoa sensível, sempre fui... Quando ando na rua, cuido para não pisar nas formigas, é uma espécie de TOC, ou algo assim. Fico horas admirando o ballet das libélulas sobrevoando a água nos dias quentes de verão. Compadeço-me com os animais abandonados, choro junto deles por tamanha injustiça. Sou amante das tardes mornas de primavera, em que aquele vento morno toca as roupas nos varais e as nuvens brancas ornamentam um belo céu azul. Durante muito tempo na minha vida esperei que alguém percebesse essas pequenas coisas, estes detalhes, em mim e me amasse exatamente por conta deles... Mas, em geral, penso que nos dias de hoje isto está cada vez mais difícil. Tive inúmeras ilusões relacionadas ao amor, inúmeras mesmo. Mas fui aprendendo com o passar do tempo. 
Há uma promessa que permeia as relações desde o início dos tempos: de que existe alguém, em algum lugar do mundo, que espera por uma pessoa exatamente como você. Sim. Um alguém que irá complementar a sua vida a tornar todas as tuas lutas mais fáceis de serem enfrentadas. Alma gêmea, seja lá o que for, buscamos por esta pessoa desde os nossos primeiros passos e jamais deixamos de buscar. 
Então, nesta saga que se inicia não sabemos bem quando, cometemos muitos enganos e, a cada nova paixão, a cada novo amor, guardamos, bem lá no fundo, mesmo que não admitamos nem para nós mesmos, a esperança de que esta seja aquela pessoa. A cada beijo, a cada frase dita ou não dita, a cada momento juntos, vamos esperando que aquela pessoa simplesmente fique. É... Que ela permaneça conosco até o fim dos nossos dias. Aquela história do "felizes para sempre", sabe?! Envelhecer juntos e sentar na varanda para cuidar dos netos e admirar o por do sol pela milésima vez. Cuidar um do outro mesmo quando estamos com raiva por conta de algum erro bobo cometido. Ressignificar a vida um do outro a cada dificuldade, enfrentar os desafios mundanos juntos porque um fortalece o outro na caminhada da vida. Muitas e muitas pessoas já sentiram isso, já escreveram sobre isso e cada um tem sua própria concepção sobre este assunto.
A questão que trago hoje é que, diante de tantos enganos e tantas e tantas pessoas que foram embora - algumas para nunca mais voltar - precisamos analisar essa nossa trajetória... Embora guardemos expectativas com relação àqueles que amamos - e sempre guardamos, isso é fato, precisamos ter a consciência plena da finitude de todas as coisas... Sim, isso mesmo, porque, não importa o quanto é grande o amor que sentimos e não importa todas as expectativas que temos, pode não ser eterno, pode não ser o "felizes para sempre" que tanto esperamos. Por isso que é tão importante vivermos o momento. Os momentos. Tristes ou felizes, serão as lembranças destes tantos instantes ao lado daqueles que um dia amamos que permanecerão conosco tal e qual uma tatuagem. Impossível desfazer-se delas. De repente, um cheiro, uma rua, uma música, trazem tudo à tona novamente e o que temos de ter certeza é de que valeu a pena. Mesmo que não tenha dado certo. 
Começamos um relacionamento de um jeito e o terminamos de outro. Não somos os mesmos quando acaba, porque a pessoa que vai deixa muito dela dentro de nós, assim como nós também deixamos muito de nós nelas. Pessoas completamente diferentes, reiniciamos a procura... E aquela pessoa que um dia nos foi tão cara acaba, muitas vezes, se tornando um completo estranho. Essa que é a parte triste de todas as histórias de amor. Cruzamos com aquele que um dia acreditamos ser nada mais nada menos do que a Nossa Metade nas ruas e temos de baixar a cabeça porque não restou nada, apenas as lembranças que habitam algum lugar distante de nosso ser. Desconstruir a imagem que tínhamos daquela pessoa dói por demais e pode doer sempre que a encontrarmos, mas, faz parte da aprendizagem. 
Precisamos perceber que, quando não dá certo, quando aquela pessoa não é a nossa pré destinada desde a maternidade - e um relacionamento quando dá errado dá muitos sinais disto - temos de encontrar meios de desapegar. Sei que não é fácil, pelo contrário, é um processo que provoca uma dor imensa, lancinante... Mas temos de deixar essa pessoa ir... 
Despedidas são muito tristes, sabemos disto. O vazio e a saudade que ficam são sufocantes, por muitos momentos pensamos que a vida deixa de ter sentido quando aquela pessoa não está mais por perto. Mas, se não era A pessoa, aquele por quem esperamos e buscamos desde sempre, por que insistir em um engano? Rotina? Comodismo? Medo da solidão? Não podemos condenar o outro a viver preso em um relacionamento fracassado, não temos este direito... E é aí que está! O deixar ir é algo muito importante para que a busca - de ambos - prossiga... Pode até ser mito, pode até ser que jamais encontremos aquela pessoa para qual fomos destinados, mas devemos (nos) dar a liberdade de tentar de novo... e de novo... e quantas vezes forem necessárias... porque ficar numa relação que não deu certo por orgulho ou seja lá pelo que for não é justo... nem com você e tampouco com o outro... Então, deixe ir... Mesmo que doa, mesmo que você fique perdida... Mesmo que o vazio fique insuportável... Porque é a única coisa que você pode fazer para salvar-se e deixar que o outro se salve também... Pensem nisso... 

"Eu não me perdi,
E mesmo assim você me abandonou...
Você quis partir, e agora estou sozinho
Mas vou me acostumar..
com o silêncio em casa, com um prato só na mesa.
Eu não me perdi,
O Sândalo perfuma o machado que-o feriu
Adeus, adeus ,adeus meu grande amor.
E tanto faz.. de tudo o que ficou,
Guardo um retrato teu,
e a saudade mais bonita.
Eu não me perdi,
e mesmo assim ninguém me perdoou..
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Meu amor
se quiseres voltar - volta não
Porque me quebraste em mil pedaços..."

(Legião Urbana, "Mil Pedaços", cd A Tempestade)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Um novo ano requer novas pessoas!

E amanhece o último dia de 2013... No ano passado, neste mesmo dia, estava organizando as coisas na casa nova, tinha recém me mudado e haviam milhares de novos caminhos a serem trilhados. A liberdade, a novidade e as infinitas possibilidades... 
Há muita poesia e muito significado em dias como estes, porque são dias em que podemos sentir a magia no ar, essa magia que nos cerca, que está em toda a parte, mas que, em outros dias, dias normais, se esconde, fica subentendida e somente aqueles que são mais sensíveis conseguem percebê-la.
Paro para refletir sobre o ano que está indo embora e posso concluir que 2013 foi um ano bom, apesar de alguns períodos de baixos... Mas, enfim, a vida é feita de momentos tristes e felizes, não existe felicidade absoluta e penso que os momentos tristes são para que possamos crescer e aprender com eles. 
Em 2013, me libertei de grilhões que me aprisionavam, os últimos em meu processo, ser livre, aprender a ser livre, não foi fácil, precisei amadurecer e me virar sozinha. Mais do que antes. Pessoas passaram a fazer parte de minha vida de forma mais significativa, outras saíram dela sem sequer deixar marcas, sofri, chorei, mas fui vencendo as dificuldades e me tornando mais forte.
Os momentos felizes, foram muitos também, momentos em que estive com aqueles que amo e que sei que me amam também, filmes, cinema, festas, jantares, almoços, passeios...
Os desafios profissionais, a escola, a Ulbra, passei em uma seleção que, depois tive a dimensão da importância dela, única tradutora da Ulbra que não esteve no curso... Na escola, o ano foi de inúmeros aprendizados. Eu e meus alunos aprendemos que não podemos mudar algumas coisas, que devemos ser pacientes e esperar. Fizemos muitas coisas legais, mas nos decepcionamos em outros tantos momentos. As lágrimas deles e frustrações foram minhas também, não pudemos subverter o sistema, mas, ao menos, não nos rendemos a ele. 
Em casa, a união com meus filhos se fortaleceu, na base da briga, da discussão, dos enfrentamentos, mas também de muitos momentos de descontração, risos e abraços. O amor prevaleceu. Apesar da minha ausência constante, ambos venceram suas batalhas pessoais, provando que são pequenos guerreiros, me deram tanto orgulho.
Em resumo, 2013 foi um ano de grandes mudanças e desafios. Como todos os outros foram até hoje. Mas, a grande e real mudança deve vir de dentro, deve estar dentro de nós.
Guardo inúmeras, infinitas expectativas do ano que está por vir, mesmo sabendo que expectativas não são assim tão boas, mas, enfim, somos humanos e queremos sempre mais. Mas tenho a plena consciência de que muitas coisas dependerão única e exclusivamente de mim mesma. Inclusive minha felicidade. 
Então, que 2014 seja um ano iluminado, que sigamos trilhando no caminho do bem, mesmo quando pensarmos que o mal está mais forte, que ele não prevaleça. Que tenhamos coragem de fazer novos amigos e acreditarmos nos seres humanos, mesmo conhecendo e sabendo desta nossa odiosa natureza humana. Que saibamos plantar coisas boas, mesmo que o terreno nos pareça infértil, mesmo que a terra pareça dura, porque tudo o que plantarmos, certamente colheremos mais tarde. E, por favor, que nesta colheita saibamos que colhemos apenas e somente aquilo que plantamos, não podemos esperar por algo que não semeamos. Que saibamos cultivar as velhas amizades, para que permaneçam conosco pelos próximos anos que virão. Que tenhamos força para amar, mesmo quando não formos correspondidos. Que nossas quedas nos ensinem a levantar mais fortes. Que tenhamos esperança de dias melhores nos momentos de desespero. Que saibamos conviver conosco nos momentos de solidão, pois somos a única companhia que teremos no final de tudo. Que façamos mais leituras, que cultivemos mais o nosso cérebro, porque ele será a única coisa que nos restará quando não tivermos mais a nossa juventude. Que tenhamos perseverança para continuar estudando, pesquisando, que sejamos curiosos, que tenhamos a capacidade de fazer mais perguntas do que de dar respostas. Que estejamos abertos para as mudanças, mas que elas não nos façam perder a nossa essência. Que sejamos livres, leves e que tenhamos fé, seja no que for, para que saibamos nos responsabilizar por nossas escolhas, mesmo quando não forem as escolhas certas. Que, em meio a tanto caos, sejamos capazes de ver o que a vida tem de bom, que possamos nos regozijar em meio a natureza, sempre agradecendo a Grande Mãe pelo maior presente que nos deu: a possibilidade de partilharmos destas maravilhas com nossos irmãos. 
"Tudo o que não me mata, me fortalece." - disse Nietzsche e penso que talvez esta seja a frase que mais resume a nossa existência neste planeta insano. Então, que esta consciência prevaleça em nós quando pensarmos que tudo está perdido. 2014 é só mais um ano. Não será fácil, porque viver não é fácil, mas depende de nós tornarmos ele mais leve, mais cheio de amor e de harmonia... 
Que venha 2014! Estou pronta! E vou me levantar mais forte cada vez que cair e valorizar mais e mais os momentos felizes e aqueles que estão ao meu lado partilhando de todos eles!
Que este seja um ano de evolução e de colheita!