quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O desapego, esse anjo do cotidiano

Sentada na minha sala, a sala de recursos da escola, ouvindo "Over the hills and far away", do Led Zeppelin, sem alunos para atender, me pego absorta em mil pensamentos, quisera tivesse uma cerveja para conseguir expressar melhor as coisas que me vem à mente, aos turbilhões, brotam tal e qual goteira no telhado, queria poder organizá-los, mas ultimamente não tenho conseguido concentrar nem nas minhas leituras. Tentei reler Dostoievski há umas semanas atrás e não consegui passar da primeira página. Lamentável. Preciso de conteúdo, já que academia não consigo mais sequer pensar. Falta grana e falta, principalmente, paciência pra conviver com a futilidade, mais que já convivo. Sei lá, no trabalho já tem o bastante, imagina só pagar pra conviver com algo que detesto. Preciso de conteúdo porque, no final das contas, no final de tudo, é só ele que vai restar. Então, já que Dostoievski não deu, leio poesia. Poesia tem dado certo. Mas meu déficit de atenção permanece...

Começa a tocar Queens of the Stone Age e alguém me chama no Whats: "Cara de sapeca que você tem", respondo com um: "Em que sentido?". Sei o sentido. Sei a intenção. Mas curto me fazer de boba, deixar que acreditem numa inocência que não tenho desde muito tempo. Aliás, nem sei se algum dia tive. Um cara qualquer, de um site de relacionamento qualquer. Não sei nem o nome. E não tenho como procurar porque nem sei onde foi que nos conhecemos. Está lá, um número de telefone qualquer que não me diz nada. Absolutamente nada. Um número. Engraçado esse lance com números. Quando deixamos de lado as nossas histórias, nossas almas, nossas identidades e nos tornamos um simples número. Dentro de empresa grande acontece muito disso, mas na vida pessoal, está acontecendo agora. E nem sei se isso é culpa das redes sociais ou se é culpa da forma com que a humanidade tem visto as coisas.

Sou um número pra muitos dos caras, a número dois da semana, a número doze do mês, a número 37 do ano. E muitos também o são para mim. O seis da semana (sim, sinal que tiveram outros cinco antes dele!), os números servem exatamente pra isso: descaracterizar. Tornar impessoal algo que poderia ser pessoal. Muitos se tornam nomes. Sim. Nomes na agenda, nomes nas conversas com as amigas mais chegadas. Sim, é uma escolha. Mas também existem razões específicas pelas quais eles ganham uma identidade: as conversas para além do sexo, as cervejas tomadas e as discussões via WhatsApp que nunca dão em nada. São aqueles que voltam, que ficam. Por algum motivo que é deles, que não sei explicar. Mas que não é apego. 

Aí, ao som de "Unwell", do Matchbox Twenty, releio o que escrevi até aqui e penso: impublicável este texto. Certamente vai decepcionar muita gente. Vai? Ahhhh, já nem quero mais saber. Estes dias, em uma conversa com um amigo, um dos que tem nome, idade, endereço, surgiu essa expressão sobre o desapego, falávamos algo sobre como o amor complica as relações, faz tudo ficar complexo, coisas que eram pra serem tão simples tornam-se uma tempestade, bagunça tudo. O desapego é um anjo nos dias de hoje. Não cobra, não machuca, não dói. Você simplesmente não guarda expectativa porque realmente não espera nada daquela pessoa. E tem momentos legais? Tem, sim. Tem jantares, cervejadas, chimarrão com chocolate e muitas risadas. Mas são impublicáveis porque não existe a necessidade de mostrar que você, mesmo sem um relacionamento fixo, também vive as coisas que as pessoas mostram no Instagran. Os rótulos são desnecessários. Você vive mil horas em apenas duas e vai embora. Volta pra sua vida, pro seu espaço, sem precisar do conflito da invasão. 

Tenho muita história pra contar. Histórias que talvez deixassem o Henry Miller e a Anais Nïn com vergonha ou com inveja, vai saber. Fui a lugares que pensei: "Nossa, se a Nïn visse isso!". Estou fora de padrões em todos os sentidos e nunca fiz questão de estar. Isso inclui, por certo, a parte de relacionamentos. Por que, afinal, devemos fingir a perfeição onde não existe? Hoje entendo que muitas vezes tem muito mais verdade numa trepada (fiquei cerca de dez minutos pensando na melhor expressão a usar, mas que se foda também) bem dada do que num "eu te amo", dependendo de quem o diz. E, olhem bem, não estou afirmando que o amor é algo ruim. Mas, de fato, o desapego tem me ajudado a ficar longe dele. E tem sido bom. Exigir reciprocidade e exigir o que me é meu por direito. Não aceito nada menos do que isso. Tenho minhas condições, escolho e vou embora na hora em que bem entendo. Sou caçadora. Mas por vezes deixo que me cacem, só às vezes. E é tão bom ir embora dos outros quando não posso ir embora de mim mesma... E desapegar na mesma velocidade e proporção com que me apego. É uma dádiva, uma bênção... E, pro Cazuza, que dizia que "só as mães são felizes", eu digo: "Não, Cazuza, só os desapegados são felizes!"


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Um brinde a todos os caras que ousaram gostar de mim

O título deste post diz tudo... Gostar de mulher forte não é pra homem frouxo mesmo. Tem que ter colhão, porque por certo jamais será uma relação de interdependência. A mulher é bem resolvida financeiramente, não pede e nem dá satisfação, sabe o que gosta e o que quer na cama - e também fora dela, então, meu amigo, se não for por um mínimo de amor, não haverá entrega, de jeito nenhum.
Vou explicar, muito embora eu pense que isso tudo seja meio óbvio, ainda tem gente que não entende, ou finge que não entende essas coisas... Hoje em dia é muito fácil, até banal, eu diria, arrumar uma trepada. Exatamente isso que estou dizendo. Eu mesma, se quisesse, estivesse predisposta, teria um cara para cada dia da semana. Ou mais. Mas a questão é que predominam relações cheias de... nada! Hoje em dia todo mundo fala em amizade colorida, mas quer só o "colorido", esquece que a amizade em si tem um conceito muito amplo, muito maior do que parece... Não se estabelecem parcerias, você tem de ser disponível pro sexo selvagem (que nem sempre é bom ou, de fato, selvagem), mas, quando precisa de um parceiro pra chorar as pitangas, um ombro amigo, ou mesmo tomar umas cervejas, todo mundo some... Triste, muito triste.
Hoje vejo que a maioria dos caras ainda separa a mulher "pra casar" da mulher "pra trepar", o que considero um grande retrocesso. A maioria dos casais de namorados que pintam a imagem de "casal perfeito" no Facebook ou em outras redes sociais é aparência (desculpe aí se o chapéu serviu, amiga, nada contra). Mas digo isso com uma mega propriedade. Já fiquei com muito cara que tinha namorada linda de morrer e reclamava que a menina era tipo boneca inflável, saca? Mulher sem atitude mesmo. Aí eles procuravam na rua o que não tinham em casa. Enfim, sempre pergunto pra esses meus amigos por que continuar uma relação assim se é pra trair, a resposta quase sempre é a mesma: famílias envolvidas, filhos, etc. A real é que necessitam mostrar algo pra sociedade. Mesmo que seja algo que não os complete, mesmo que seja algo que, no íntimo deles, não faça a mínima diferença. Você aí que tá me chamando de vadia neste exato momento, pare de ler agora este texto e vá ler sobre questões de gênero, se informe, depois, quem sabe, volte... Sim, fiquei com caras comprometidos, e daí? Como dizia uma professora de faculdade: o vinho é bom e a carne é fraca. Torno a dizer que eu não tinha compromisso, então, se alguém deve uma resposta para a sociedade, esse alguém são eles. 
O que percebo, minha gente, com tudo isso que estou expondo é que, embora as desculpas sejam sempre as mesmas para não assumir relacionamento com uma mulher como eu (filhos, liberdade limitada, vida profissional corrida, idade, etc), o que rola de verdade é medo. Isso mesmo que você está lendo: um medo incontestável de ser julgado pelo resto da humanidade. Afinal, mulher que tem filho, - os cria sozinha, inclusive -, que trabalha, é dona de seu próprio nariz e, não menos importante, ganha mais do que o cara, muitas vezes, não ficará em uma relação meia boca. Nem que a vaca tussa mil vezes. No primeiro olhar pro lado, no primeiro indício de que as coisas não andam bem, ela manda caminhar. Assim mesmo. Pra mulher assim não existe no vocabulário "relação por conveniência", ela não precisa. E é exatamente aí que o bicho pega. Porque os homens ainda não sabem lidar com tamanha independência. Não sabem lidar com o fato de que aprendemos, sim, a separar sexo de amor. E, finalmente, não sabem lidar com o fato de que não precisamos mais deles nem mesmo para termos prazer. 
Se ficamos com alguém é porque essa pessoa complementa, essa pessoa constrói junto, essa pessoa faz alguma diferença, porque, senão, caminhamos sozinhas sem problemas. E não ligamos no dia seguinte, só para constar. Desapegamos com a mesma frieza e rapidez com que nos apegamos e assim a vida segue... Por isso, por tudo que expus acima e ainda mais um pouco que está nas entrelinhas, que torno a dizer: os caras que me tiveram foram muito machos! Muito mesmo! Tem que ter muita coragem para se deixar envolver por uma mulher forte e bem resolvida (e eu sou, sim, obrigada). Um brinde a todos vocês, meus queridos, não importa o tempo que tenham passado ao meu lado, se 30 minutos ou alguns anos... Se tiveram algo de mim é porque realmente mereceram. Porque estou bem sozinha, muito bem, sim, antes que venham perguntar. E prefiro conviver comigo mesma a ter relações de aparência. Saio com quem eu quero. E sempre é tão épico que todos, absolutamente todos, voltaram até hoje. 
Que cada um, e cada um sabe de minha entrega - ou não - saiba da admiração e respeito que tenho por vocês porque ter uma mulher que nem eu (e eu conheço algumas) não é pra quem quer, é pra quem pode! E tenho dito!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sr. Kowalski traduzindo minha saudade


Eis que ele se foi... Não havia dado sinal de que iria até o último dia, em que a doença tornara-se tão crítica... Relacionei tua mudança de comportamento à nossa mudança de endereço, já que, pra você, seria a terceira, pensei que estivesse traumatizado e depressivo, pois mudanças sempre são críticas para os felinos. Conversei várias vezes contigo, disse que, onde quer que eu fosse, você estaria comigo, jamais abandonaria um filho, um amigo, o melhor amigo de todos... Mas você estava doente. E eu custei a perceber isso. E talvez já fosse tarde demais quando buscamos por socorro... 
Pensando no lado espiritual, talvez você tenha percebido que já havia cumprido tua linda missão ao nosso lado. Tantas e tantas coisas que passamos juntos... Tantas que nem sei contabilizar... Você deitava ao meu lado e lá ficava. Quantas horas fossem necessárias. Até que eu estivesse pronta pra levantar, enxugar as lágrimas e começar a viver novamente. Meu grande parceiro, meu guerreiro, meu irmão de alma...
Depois que vi a vida te deixar, naquela maca fria do consultório, depois de ter tentado de tudo, me pareceu que você levou uma parte de mim contigo, naquele momento exato, naquele segundo em que o brilho da vida deixou teus olhos, senti parte da minha alma esvair-se junto da tua. Você estava nas minhas mãos, senti quando teu corpo perdeu tua alma... Ou tua alma deixou teu corpo, acho até que este é o mais correto a se dizer. E, vou te dizer, meu velho, meu coração meio que parou de bater por um segundo naquele fatídico momento. Foi foda. Um dos momentos mais fodas da minha vida...
Parece até exagero. A maioria das pessoas não entende essa relação com os bichos. Mas eu e você tínhamos algo que ia além da vida. Você estava comigo o tempo todo, dormia do meu lado, deitava em meu colo, esfregada teu focinho lindo e rosado na minha cara para me dizer que eu também era parte de você. E é incrível que, a cada momento em que tu se aproximava, eu pensava: "Cara, vai ser foda quando ele me deixar..." Eu só nunca imaginei o quanto seria...
Quando meio que deixei de acreditar em alma gêmea, passei a crer que, caso eu realmente tenha alguma no mundo, essa alma seria de um dos meus felinos, ou de todos, vai saber... Já que algumas crenças tem a teoria de que nossa alma pode se dividir muitas vezes... Minha alma se dividiu e renasceu muitas vezes em felinos. Felinos lindos, felinos que amei como a um filho, Lilith, Mustapha, Sr. Frodo, que você não gostava muito e agora você.
Espero que vocês tenham se encontrado aí no céu, que tenham muitos fiapos e bolas de lã para brincarem. Que tenham muitas cobertas quentinhas para se aconchegarem e um gramado bem verdinho e macio para vocês rolarem e eventualmente comerem a grama quando rolar aquela dorzinha na barriga. E que tenham pessoas para acariciarem vocês quando vocês se aproximarem daquele jeito manso e ronronante... Me esperem, meus pequenos, porque o reencontro é certo. Uma hora destas estarei aí com vocês para seguirmos trilhando juntos os nossos caminhos.
E, Kowalski, meu filho ruivo e querido, saiba que levei a Moira pra casa... Ela é parecida com a Flor, aquela gatinha por quem você se apaixonou há um tempo atrás, lembra? Sei que era isso que você queria... Fica tranquilo, porque ela vai ter o mesmo amor que vocês todos tiveram. Teu mano, Snape, te procura em casa durante a noite... e o Gandalf, que é quietão, daquele jeito dele, chorou quando o levamos para a casa nova... Queria que você estivesse lá conosco. Porque agora não teremos mais mudanças. Essa casa é nossa e será pra sempre. Mas não terão lembranças felizes tuas por lá, que pena... Mas ainda bem que deu tempo de você conhecer antes de ir. Te amaremos pra sempre, ruivo. Te cuida aí e manda beijos pros teus irmãos por mim. Até logo... Amor de minhas vidas!


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Reflexões a respeito do ano que vai... e do que vem...

Então chegou... Finalmente estamos no último dia de 2014. Antes dele, passaram por nós exatos 364 dias. Dias de risada, de festa, de muita música, de união de família, amigos, irmãos, colegas de trabalho. Dias de dor, dias que não foram lá grandes coisas, de tédio, de angústia, de tristeza e lágrimas. Como em todos os outros anos. Como em todas as outras histórias, a minha não fora diferente.
A questão é que, como disse Drummond em seu belo poema, que bom que existem os dias primeiros e, junto com eles, toda a renovação e as chances de recomeços. E é isso, gente. Por mais que os momentos ruins tenham nos deixado marcas profundas, aqui estamos nós, cheios de esperanças de que tudo melhore. Não morremos! 
Como faço todos os anos, guardo um momento do meu dia para refletir a respeito do que escrevi nas 364 páginas em que estive em pé e, querem saber? 2014 foi um ano muito bom! Foi,sim. Um ano de muito, mas muito trabalho, algumas decepções, muitas, inúmeras mudanças. Provavelmente, se você é uma das muitas pessoas que vi reclamar no Face do ano que se vai hoje, você deve estar pensando: "Hum, grande coisa que o ano dela foi bom, o meu foi um lixo..." Convido você a refletir sobre algumas coisas que certamente você não deve ter pensado: se foi difícil pra você, que aprendizado você conseguiu tirar disso tudo? O que vai fazer para que 2015 seja um ano diferente? Está disposto a mudar você mesmo para alcançar outros - e novos - objetivos?
Todos passamos por dificuldades. Aliás, tenho uma teoria de que felicidade plena e eterna é uma utopia. Só existe no plano dos sonhos mesmo. Nossa vida terrena é feita propositalmente de altos e baixos exatamente porque devemos evoluir, crescer, transcender. E isso não é fácil! Fato! O que fazemos com nossos momentos difíceis é que nos difere... Se você se vitimiza, culpa o ano, culpa o tempo, o clima, o dia da semana, tenho uma super novidade pra você: todos os anos serão uma bosta! Porque o que todos os anos, todos os dias, toda a sociedade precisa é de atitude, meu querido! Atitude! 
Comece a mudar o seu ano por você mesmo. É mais ou menos isso. Passeando pelo Face vi muita gente reclamando de 2014. Estava até pensando se deveria mesmo falar do quanto este ano fora positivo em minha vida, se não despertaria reações controversas nas pessoas. Mas, assim, de boa, que o que entendi é que os momentos, sejam bons ou ruins, passam. Passam muito rápido. O que fica é o que você construiu dentro de você a partir destas experiências. E, vejam bem, não estou dizendo que 2014 foi um mar de rosas, longe disso! Tive de enfrentar muitas coisas, crises depressivas, problemas com vizinhos, fazer escolhas difíceis, que me afastaram de pessoas que me eram muito queridas e que me fizeram conhecer outras que hoje passaram a fazer parte da minha vida. Trabalhei muito, passei mais tempo fora de casa do que curtindo meus filhos e meus bichos. Mas aprendi que tudo isso me fortaleceu. E tem me fortalecido sempre. As coisas não são fáceis para mim. Passei num concurso, comemorei, fiz festa e nem fui nomeada ainda, oras. Troquei o certo pelo que parecia duvidoso, aceitei desafios que me tiraram o sono por dias a fio. Mas estou aqui. E, assim como todos vocês, também espero que 2015 venha repleto de alegrias e bons momentos. Mas sempre ciente e consciente de que os momentos ruins são, sim, inevitáveis. Mas, sinceramente, espero que daqui a exatos 365 dias, eu volte aqui para escrever outras palavras positivas. Lembrem-se, pessoas, três coisas básicas que devemos levar conosco para o ano que vem: mudar a si mesmo, antes de mudar o entorno; tudo, tudo, passa e, o mais importante de tudo, tudo é aprendizado, busque evoluir com as dificuldades. E tenho certeza de que 2015 irá surpreender positivamente. A todos nós! Feliz 2015! Que seja sereno, suave e doce... 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um do outro

"Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso."

(Tati Bernardi)

Já faz algum tempo que armazenei este texto no Blog... Um texto que resume o que tem sido a vida dela até aqui. Por isso ninguém se aproxima, por isso ninguém a olha além da carcaça. Porque é fácil perceber o quanto dele ficou dentro dela. Sim, apesar da falta que ele faz, ela seguiu a vida dela, tentou com outros caras, mas concluiu que sempre buscará por ele em quem quer que seja... Então, se adequou à solidão, buscou nos amigos e familiares o amparo porque este vazio algumas vezes fica insuportável. 

Ela se formou, fez pós graduação, especialização, aumentou a carga horária de trabalho até a exaustão. Chega em casa, alimenta os gatos e vai pra cama, sem tempo de pensar muito na saudade. Mas sempre torce pra sonhar com ele. No mundo dos sonhos, quem sabe, eles podem ficar juntos novamente. 

Sabe o quanto tudo se tornou impossível para eles nesta vida. Sonhava com uma possível reencarnação para resolver as coisas, mas o fato dele ser cristão e ela pagã meio que atrapalhava essa expectativa. Ele não acredita em outras vidas. Mas também sabe da impossibilidade de as coisas se ajeitarem nesta. Então, ela pensava, como viverei esta e outras vidas na impossibilidade de acabar com esse vazio, na impossibilidade de resolver de vez essa história? O foco na vida profissional não fez com que ela esquecesse. Dormia pensando nele e acordava pensando nele. No fim das contas, voltar a falar com ele como amiga não foi uma boa ideia. 

Saber das coisas dele não é tão legal quanto parecia no começo, porque fica fácil de perceber o quanto ele está distante, o quanto o sentimento ficou somente nela... Alguns dias ela reza e pede por uma terceira pessoa, alguém que a tire deste oceano sem fim, nem que seja pra viver na tranquilidade, não mais nesta onda de paixão e medo que ela vivera ao lado dele e hoje vive sem ele. Alguém que não seja tão complicado, que traga apenas "a sorte de um amor tranquilo"... Mas esse alguém não chega nunca... E ela cansou das baladas e das ficadas, relações vazias que não duram muito mais do que alguns encontros. Escolheu, então, ficar sozinha. E isso de vez em quando provoca uma dor tão grande nela, mas tão grande, que ela acorda pela manhã e toma banho, café, vai trabalhar, como uma autômata. Como se estivesse fora do seu corpo, sua alma ficara em algum lugar, adormecida. Só assim consegue sobreviver à dor que este vazio provoca. 

Os dois se falam. Quase todos os dias. Por vezes se recordam juntos de alguns momentos vividos, mas, no geral, tentam mesmo se comportar como velhos amigos. Ele começando uma faculdade, ela começando a terceira especialização. Falam sobre trivialidades. E dói muito nela pensar que jamais poderá falar novamente de seu amor. Jamais poderá dizer "eu te amo" de novo. Porque isso o afastaria. E porque daria poder a ele de fazer o que quisesse com esse amor. Não. Não podia arriscar. Porque esse amor já fora massacrado, pisoteado e enfeitiçado demais pro gosto dela. Que ficasse guardado, lá dentro, mesmo que doesse por demais. E a impressão que ela tem é de que essa é uma ferida que nunca sara. Nunca. E anos já se passaram desde o fim. Encontrou e-mails em sua caixa trocados pelos dois na época do fim, ficou com raiva dele, tentou dizer para si mesma do quanto não valia a pena. Tentou se recordar apenas das brigas, dos momentos de angústia, mas era impossível. Tentava esquecer. Mas isso era mais fácil antes. Porque ela já estava esquecendo do rosto dele, até aquela tarde de sol em que se reencontraram. Agora, ao tentar esquecer, lembrava ainda mais. O rosto, os olhos, o sorriso. Uma tortura tão imensa que por vezes ela pensa que sumir talvez seja a única solução. 

Não pode excluí-lo de vez de sua vida, porque estaria mostrando a sua fraqueza, não pode deixar de falar com ele sem dar uma explicação, pois isso despertaria o instinto vingativo dele. Então ela vai suportando, um dia de cada vez, a conversa fiada com ninguém menos que o grande amor de sua vida - que fala em outras, que fala que ela deve buscar outros - sem ter a noção do quanto essas coisas a machucam. Todos os dias, quando ele a chama, ela guarda, lá no fundo, a esperança de que seja uma confissão de amor, de que seja uma mensagem do tipo: "A quem estamos enganando? Eu te amo, quero ficar com você, onde posso te encontrar?" A única certeza que ela tem é que ela iria correndo. Assim, sem pensar. Voaria aos braços dele. Apostaria tudo. Mas ela sabe que isso não vai acontecer. Ele sempre enfatiza: "Somos amigos!" E assim, ela vai morrendo aos poucos, a cada dia que passa, por saber que é nos braços de outra que ele encontrará a paz. É nos braços de outra que ele vai viver os momentos mais importantes de sua vida, formatura, compra da casa, casamento, filhos. Não suportaria estar por perto quando isso acontecesse. Pensou em mudar de cidade inúmeras vezes. País. Planeta, talvez. Qualquer lugar que não tivesse a presença dele nas ruas. As lembranças dos dois nos lugares. 

A verdade é que ele jamais saíra, por um minuto sequer, de dentro dela. Nem quando ela esteve com outros. Outros mais bonitos, mais interessantes, mais inteligentes. Nada, nem ninguém neste mundo insano faz com que ela esqueça a intensidade do olhar que ele lhe lançava e o quanto esse brilho foi se apagando no final. Culpa-se por isso todos os dias. "Matei o amor dele por mim", ela pensa. E já não sabe mais se estar com ele ou longe dele é o que a faz sofrer mais. E é por isso que tudo é tão impossível entre eles... E essas impossibilidades tomam conta de tudo... Ele torce pra encontrar um novo amor. Ela torce para que ele a reencontre. E assim os dois vão fingindo. Que pode haver amizade depois de um amor que queimou quase tudo. De um amor que, de tão intenso, nem as cinzas restaram. Levadas pelos ventos das lembranças para muito longe. Outro dia ele falou da música que era deles. Ela nem se lembra mais... Porque outras coisas ficaram. Mais doloridas... Ela realmente espera que essas feridas sarem e que uma outra pessoa possa apagar tudo isso de dentro dela. Que arranque ele de dentro dela e que, assim, dessa maneira, ela possa continuar vivendo. Mesmo sem o pedaço de sua alma que ficou presa a ele. 


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Feitiço do amor impossível

Dizem, na magia, que, quando você traça um perfil de alguém impossível de ser encontrado, um alguém que "não existe", por assim dizer, você consegue fechar o seu corpo e coração para o amor... Eu tenho pensado nisso, pois não deixa de ser uma forma de selar o seu destino, afinal de contas, não estamos num filme e, ao contrário do que acontece no cinema, as probabilidades de aparecer alguém com as características que você traçar são mínimas, para não dizer que são nulas... Mas, pensamento vai, pensamento vem, oriundos de uma alma que já sofreu o bastante, resolvi tentar a sorte. Não, não de encontrar tal pessoa, mas de fechar meu corpo mesmo...
Sendo assim, vamos ao ser inexistente: ele terá cabelos lisos e compridos e que, apesar da idade, não esbranquiçaram com o tempo, seguem escuros tal e qual os índios americanos ostentam. Boca carnuda, espessa, de formas tão perfeitas que, ao espiá-lo de lado, poderei ver a forma de um coração... Seus olhos, mais importantes de tudo, além de revelarem a alma de guerreiro, terão cor de mel, escurecerão quando ele estiver brabo ou triste... Me olharão além da carne, tocarão minha alma, jamais olharão além de mim e me acompanharão onde quer que eu esteja... No corpo, uma tatuagem maori, que cobrirá todo o lado esquerdo de seu tórax, mal saberá explicar o significado de todos os símbolos, pois terá feito a maioria das sessões bêbado, para aguentar a dor e, ainda assim, chamará sempre de "rito de passagem"... Seu sorriso iluminará tudo em volta. E sempre olhará para baixo quando sorri. Porque prefere ter a fama de malvado para quem não o conhece...
Curtirá rock, livros, poesia, terá lido Blake e, sempre que eu estiver triste, encontrará algum poema dele que - ele acha - tem algo a ver comigo. Mesmo que depois eu leia de novo e não me veja nele... 
Saberá cozinhar divinamente, mas sempre fará charme pra ir pra cozinha, preferirá comer as minhas gororobas e meu arroz grudento. Mas não por preguiça, só porque gosta mesmo... Terá um papo apaixonante, desde as viagens que fez, pessoas que conheceu, livros que leu, - sem me provocar ciúmes de seu passado porque todos os dias me mostra que só nasceu depois que me conheceu -  filosofia de mesa de bar será com ele, pois conhece um tantão do mundo e outro tanto de autores, cinema, magia... Sempre que eu falar numa discussão, me olhará atento e admirado, perguntando-se: "onde eu estive todo este tempo que não a encontrei antes"... Todos a nossa volta dirão que ele tem olhar de bobo quando me olha. Será amigo e cúmplice dos meus filhos, guardará segredos com eles que talvez eu jamais saiba. Terá um imenso interesse por tudo o que me cerca... Alunos, escolas, palestras, traduções... Segurará a barra dos meus estudos eternos, seja mestrado ou livros de magia. Praticaremos yoga e fotografia juntos. Desistirei do Muay Thai porque terei ciúmes, brigaremos, porque ele vai continuar. Me aceitará, mas saberá impor suas vontades. Me amará acima de tudo, mas sem perder sua essência, sua personalidade. Teremos amigos em comum, teremos amigos só nossos, teremos ciúmes um do outro com nossos amigos que são só nossos, mas manteremos as amizades, porque ambos seremos teimosos...
Os animais serão a nossa causa comum, dentre tantas coisas e gostos que já compartilharemos, esta, com certeza, será a mais importante delas... Jamais me criticará quando "algum cachorro me seguir por aí", terá imenso amor e respeito por isso... Viajaremos juntos e nossa casa será tal e qual um museu de quinquilharias - a maioria quebrada por causa dos gatos - trazidas destas viagens. Tomaremos vinho no inverno, cervejas no verão, daremos risada juntos e choraremos juntos também. As pessoas que estarão ao nosso redor dirão que nascemos um para o outro, tamanha perfeição que será nós dois juntos... Seremos felizes pelo simples fato de termos um ao outro. E sempre que brigas acontecerem, um dos dois voltará atrás e sairá feito louco na rua, de pantufas, para não deixar que o outro parta, pois já não dá para imaginar a vida sem o outro ao lado. E com ele aprenderei a gostar de coisas que antes não gostava, como culinária indiana e tailandesa, como Karl Marx e azeitonas... E ele aprenderá comigo que o tempo é algo a ser administrado, que gatos não querem dominar o mundo e que o dia não começa antes do café de manhã. Seremos um do outro, tanto, mas tanto que as pessoas em volta não entenderão tamanha ligação.
Ele terá habilidades únicas, tais como atrair pássaros e admirá-los livres na natureza, por isso sua natural resistência inicial relacionada aos gatos... Beija-flores e sabiás serão comuns de se ver no quintal, ele saberá cuidá-los e alimentá-los, como eu mesma nunca soube fazer. 
Não gosta muito de academia, mas será amante de caminhadas e passeios ao ar livre e, vale dizer, seu lado "Headbanger" também faz com que ame lutas e afins. Mas terá um lado sensível e sofrerá com as injustiças. Mas ele não será tão frágil quanto eu e saberá lidar com minhas dores e me tirar de meus próprios abismos, mesmo quando eu tentar afastá-lo, mesmo quando eu não quiser ser salva, ele irá entender e depois rirá do jeito como me aninho no colo dele quando me sinto desamparada... 
Por conta da consciência do tempo que perdemos longe um do outro, teremos urgência em viver as coisas, urgência e pressa. Por isso, todos os momentos, desde os jantares entre famílias, amigos, até o filme velho na tevê, serão únicos, sempre terão aquele toque de magia e dejavú... Já vivemos isso em outro tempo e outro lugar. Esta certeza nos faz não olhar pros lados, jamais cogitar outras possibilidades, pois nos bastaremos um ao outro. Em tempos de relações fúteis, estaremos entregues como ninguém mais estará. Mergulhados em nossos oceanos e conheceremos um ao outro muito mais do que pessoas que convivem conosco há anos nos conhecem. Ele será sempre meu porto seguro e eu a sua estrela guia. Mas sem muita melação. Na medida certa de carinho e ferocidade, quando esta se fizer necessária. Ferocidade nas brigas, porque tudo com a gente é intenso e dramático demais, não sabemos ser metade, meio termo, água morna... E ferocidade na cama... Sempre pré disposto, sempre com vontade, em qualquer lugar, a qualquer hora. Perfeito!
Selo este feitiço dizendo que, onde quer que esteja, este amor impossível, que sei que não encontrarei nesta vida, talvez nas próximas, quem sabe, é por quem tenho esperado desde sempre. Pessoa a quem amarei com todas as forças que tenho e a quem doarei meus dias. Lamentarei a morte quando estivermos juntos, mas a certeza do reencontro acalentará minha alma. Que você me reconheça, grande amor, e que saiba que este vazio que sinto talvez seja por não ter a tua presença junto de mim. Esperarei quantas vidas forem preciso. 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Algumas reflexões sobre a Morte

Eis que depois da trágica notícia do jovem humorista Fausto Fanti ter cometido suicídio, ontem soubemos da morte do grande e genial Robin Williams, ator de clássicos do cinema, como Sociedade dos Poetas Mortos, inesquecível, O Homem Bicentenário, entre tantos outros... Ontem essa notícia me pegou tão de surpresa, tão despreparada, que fiquei buscando no meu celular a causa da morte e, finalmente, encontrei uma notícia que dizia que a possível causa da morte seria suicídio. Surpreendente! Entristeci-me ainda mais com este fato. 
As pessoas ficam se perguntando o que leva uma pessoa a escolher ir... Já que a vida tem tantas e tantas coisas boas, temos as pessoas que amamos, que nos amam, sabemos o sofrimento que causaríamos nelas, e, ainda assim, escolhemos ir... Covardia? Não... Muito longe disso! Desculpem-me, vocês que estão acostumados a julgar este tipo de ato, dizendo que temos de ser fortes, enfrentar as dificuldades da vida, e todo esse blábláblá que estou acostumada a assistir todos os dias nas redes sociais, mas tem momentos em que o desespero é tamanho, tão grande, tão intenso, que somente a morte nos apresenta uma cura viável para tamanha dor...
Não estou aqui apoiando tal decisão, nem defendendo quem escolhe este caminho, até porque cada um sabe o seu próprio limite, eu mesma já tentei partir tantas e tantas vezes, sei o que senti nestes momentos e não desejo isso nem pro meu pior inimigo... Mas proponho uma reflexão a respeito da morte, ou melhor, da escolha pela morte... 
Você aí, que acha sua vida maravilhosa, já pensou a respeito destas coisas? Já parou para pensar se um dia tudo acabar de repente, que legado terá deixado? Vamos além, o que tem provocado o suicídio de pessoas inteligentes e sensíveis? Já se perguntou a respeito disso? Outrora, vimos os astros do rock se matarem lentamente com o abuso de drogas, que considero também uma fuga da realidade... Que atire a primeira pedra quem nunca tomou um "porre desopilador", todo mundo bebe para esquecer algo, para comemorar algo, ou simplesmente porque precisa de um tempo... Fugas e mais fugas... Dormir muito tempo também é uma fuga... Usamos, todos os dias, de subterfúgios para fugir, esquecer ou tentar amenizar a nossa dor. Remédios, abuso de exercícios, abuso de comida, de sexo... Algo que, mesmo que por um instante, nos provoque uma sensação momentânea de alívio, de prazer... Já que sabemos que tudo lá fora já se partiu e já faz algum tempo...
A vida não está fácil. Relações efêmeras, superficiais e, pior que isso, movidas por interesses momentâneos que não duram muito tempo... Temos cada vez mais medo de amar, de nos entregar... Ontem vi uma frase que resume tudo isso, não me lembro bem o autor, mas é a seguinte: " É mais fácil amar, do que sermos amados, mas, ainda assim, devemos amar..." Com certeza. Jamais teremos a certeza absoluta do amor do outro por nós. Jamais teremos certeza de que a recíproca é verdadeira. Mas, ainda assim, devemos correr o risco e pular neste abismo. O problema é que essa queda tem machucado muita gente porque não havia reciprocidade, não havia respeito e sequer havia algum tipo de sentimento por parte do outro. E é nessa história triste que os mais sensíveis se perdem...
Sempre convivi com a sensação nítida e, em alguns momentos, extremamente e insuportavelmente verdadeira, de não pertencimento. Sempre me pareceu que eu não era daqui. Talvez eu tenha sido uma das primeiras almas "índigo" a aterrissarem neste planetinha insano, porque nem me atrevo a me narrar como "cristal"... Mas eis que essa sensação de não enquadramento provoca a descoberta do vazio. Dentro e fora de nós. Um vácuo que nos separa do resto... Simples assim... E tão dolorido que é impossível dimensionar esta dor para aqueles que acham que o mundo é maravilhoso e que estão no lugar certo... Somos aqueles que sofrem com as injustiças do mundo. Aqueles que, quando veem um animal sofrendo, choram junto, acudem, ajudam, gastam o que não tem para tentar amenizar este problema, tiram a roupa do próprio corpo para dar a quem não tem. E este desprendimento, essa sensibilidade, é coisa rara nos dias de hoje, em que as pessoas são ensinadas a competirem, desde a mais tenra idade, são ensinadas a visarem o lucro, acima de qualquer coisa.
Talvez seja isso.Talvez estas pessoas, apesar de suas vidas aparentemente perfeitas e de suas posses, seu sucesso e todo o resto, talvez elas sentissem esse vazio... Tão grande, tão intenso, que foi difícil de continuar... Tentamos explicar o inexplicável. Pessoas que nos fizeram rir, carregavam tamanha dor dentro de si e ninguém foi capaz de perceber isso e estender a mão, segurá-los para que não caíssem em seus próprios abismos... Mas é assim mesmo, às vezes a dor não aparece, e sorrimos quando estamos com o coração partido em milhares de pedaços... Só aqueles que tem coragem o suficiente de nos olhar dentro dos olhos que conseguem ver. Mas e quem é que olha nos olhos hj em dia? 
O fato é que devemos evitar julgar e vir com o velho discurso da "covardia". Sei que é mais difícil para aqueles que nunca viveram momentos como este, mas, religiões à parte, realmente espero que estas pessoas encontrem de fato na morte a paz que almejavam, sem umbral, sem inferno... Simplesmente a paz. Porque a vida é demasiado sofrida para quem fica. Quem sabe não é lá, na morte, cada um a seu tempo, e de sua forma, que não esteja a luz que tanto esperamos encontrar enquanto estávamos vivendo, ou melhor, sobrevivendo... "Espero que entre sorrindo, no que resta de um sonho... Ofélia..." (Jim Morrisson)