quarta-feira, 27 de junho de 2012

Let's find the magic together?: Finding yourself in the universe

Let's find the magic together?: Finding yourself in the universe: Esse é meu primeiro post, no meu primeiro blog. Tão emocionante! Como blogs tem aos montes, e eu duvido conseguir fazer com que est...


Publico em meu próprio Blog uma das maiores razões para eu seguir acreditando em milagres... Essa pessoa não saiu de dentro de mim, mas com toda certeza, se tivesse saído, não seria tão parecida comigo o quanto ela é. Renata, batizei ela em casa, numa cerimônia de poucos convidados, tinha 16 anos então e ela um ano e pouquinho... Poucas pessoas acreditaram nesse batismo... Achavam que não tinha valor porque não teve a pompa da igreja. Um batismo pagão, sem que eu tivesse consciência disso na época.. Ora vejam só! Mas o valor que teve em minha vida foi incalculável, praticamente um presente dos deuses para mim, já que com ela vieram noções de responsabilidade e compromisso, coisas que eu, "porra louca" na época, pouco ligava. Foi a minha escola de maternidade. Ter um ser tão indefeso em seus braços, sob sua responsabilidade, é uma coisa que muda sua vida para sempre, para melhor, claro... Desde então tivemos travessias diversas, por vezes seguimos caminhos distintos e por vezes nos reencontramos, novas, diferentes do que éramos, mas sempre muito parecidas... Coisas do signo, ambas aquarianas, coisas da vida, coisas do destino... Mas sei que cada vez mais vejo nela uma versão melhorada de mim mesma, do que eu fui um dia... Sim, melhorada... Graças à Deusa, ela não flerta com a Morte, ela não tem tendências suicidas (eu tinha)... Um ser raro, mas tão raro, que vejo nela o mesmo deslocamento que sinto em alguns momentos, um "não pertencimento" a este mundo que dói em mim reconhecer... Mas é um pedaço de mim que ali está. Seguindo seus próprios rumos, escrevendo sua própria história, tão longe de mim, tão perto de mim, mas caminhando, linda e forte como nunca consegui ser... Todos os dias agradeço aos deuses por este presente, que me preparou para ser mãe, que me ensinou a dividir para somar, que me permite ser parte de sua história. Também vale dizer que o amor incondicional passou a existir depois de ti e que somente você provocou mudanças das mais significativas em minha vida. Agradeço muito por isso... por tua mãe ter te confiado a mim, dinda de poucos presentes e por um batismo pagão ter ganhado proporções tão imensas em minha vida. Muito obrigada por existir! Tenho muito, mas muito orgulho de ti!

O Senhor Tempo


"Na mitologia grega, Chronos era filho Urano (o céu) e da Gaia (a terra). Incitado pela mãe e ajudado pelos irmãos, os Titãs, castrou o pai, tornando-se o primeiro rei dos deuses. Chronos reinou durante um período de prosperidade, conhecido como a Idade Dourada, porém era ameaçado por uma profecia segundo a qual seria vencido por um dos seus filhos. Para que não se cumprisse este vaticínio, Réia, mulher de Cronos, entregava-lhe os seus filhos para que este os devorasse assim que nasciam. No entanto, Réia conseguiu salvar o seu filho Zeus. Este depois de crescer destronou o pai, expulsando-o do Olimpo e libertou todos os seus irmãos. Segundo a tradição clássica, Chronos simbolizava o tempo e por isso Zeus, ao derrotá-lo, conferira a imortalidade aos deuses."

Começo o post de hoje com este pequeno resumo do mito do Titã Chronos, que, como pudemos perceber, representa o tempo. O tempo...
Muita gente acredita que o tempo é o melhor dos remédios, nos afasta de nossas dores, cura as piores feridas... Até concordo em parte com tudo isso. Creio que o tempo nos faz bem, em determinadas situações... mas em outras ele pode ser maléfico, pois também age de forma a nos afastar das pessoas e lembranças que nos são caras... Por vezes, tento relembrar de rostos que outrora eu amava e me desespera perceber que aos poucos está se apagando...
O tempo já me pregou muitas peças... me arrependi muitas vezes por não ter aproveitado mais minutos ao lado de pessoas que perdi ao longo de meu caminho... E também nasci afastada cronologicamente de pessoas que queria ter ao meu lado e a idade - a diferença de idade - não nos permite... Enfim, muitas vezes brinco com o tal do tempo, deixando para última hora compromissos importantes, que supostamente eu teria "todo o tempo do mundo" para cumprir... Deve ser por isso que tenho meu castigo... Hoje vejo que o Titã Chronos liberto do Tártaro nos retirou a eternidade...
Tenho medo do tempo, medo de como ele pode agir em nossas vidas, de como ele pode nos jogar no esquecimento, nos afastar daqueles que tanto amamos... O próprio fato de não podermos retornar no tempo nos imobiliza diante dele. Saber que determinados momentos jamais poderão ser revividos, a não ser em nossas memórias...
O futuro sempre eterna dúvida e o passado preso nas flanelas de nossos sonhos... O presente? Ahhh, o presente... sempre aquela sensação de hora errada e lugar errado... Não era para estar aqui, não era para ser assim... e poderia ser tão diferente! Não fosse o tal do tempo agindo e nos fazendo ficar vazios de significados, para nós mesmos e para os outros...
Quem dera poder retornar, consertar erros, dizer o que precisava ser dito e agora é tarde demais... A eminência de uma doença faz a gente parar para pensar nessas coisas... a vida é curta demais para a espera... E amanhã pode ser tarde demais para podermos tentar consertar as coisas... Diga hoje o que tem para dizer para quem você ama, não deixe para amanhã, fique com ela (ele) agora porque o amanhã sempre será apenas uma possibilidade... Construa seu futuro agora, no presente, porque é incerto que ele realmente aconteça... É utópico pensar que quando nos considerarmos prontos aquela pessoa ainda estará lá, nos esperando... Tenha coragem para viver cada minuto agora, e intensamente, como se fosse o último, porque você, eu, jamais saberemos quando é que realmente será o último. E a morte, essa, sim, é a única coisa certa desta vida...


domingo, 27 de maio de 2012

Ontem...


Ontem estive inquieta... sem saber ao certo como ou o que dizer... deitei em minha cama e fiquei horas sem poder dormir, pensei em levantar e ligar o computador novamente para poder escrever, falar aos meus, aos que entendem como me sinto... Fazia muito tempo que não chorava... mesmo com os problemas, as crises vividas em casa e fora dela...
Não sei se foram as músicas novas no celular, não sei se foi o acúmulo de sentimentos dos últimos meses... sentimentos confusos... olhei para a porta do meu quarto e senti falta de vê-la se abrindo... e eis que ela se fecha, talvez num sinal de que jamais será aberta novamente, não do mesmo jeito, não pela mesma pessoa... (Não sou mais a mesma, definitivamente, não...)
Mas ontem bateu um certo desespero... por que não pode ser agora? Por que esperar mais tempo? Por que não travar as batalhas caminhando na mesma trilha?
Tantas e tantas coisas que gostaria de entender... já tinha me conformado... que não resolveria agora, não seria nesta vida, mas de repente, não mais que de repente, a esperança volta e a culpa não foi minha... se é amor, por que ele deve esperar, se esconder, se culpar?
Não consigo entender porque o vazio persiste, porque a casa, minha morada, não me acalenta mais como antes, porque tudo perde o significado quando tudo é ausência... Queria trazer os fantasmas de volta, queria tornar vivas as lembranças, fazer com que o passado pudesse ser tocado, sentido, levado...
Perdida entre as pessoas vou caminhando, vivendo, deixando as coisas me empurrarem, mesmo sabendo, no meu íntimo, que sei demais para viver em paz de novo, sei demais para voltar a ser o que era, sei demais para ser inocente... E é isso, exatamente isso, que me deixa distante das outras pessoas, é exatamente isso que deixa tudo vazio ao meu redor, como se eu estivesse a milhas distante de todos que me rodeiam. E algumas vezes ouvir uma música ou sentir um cheiro faz com que eu me lembre disto... que há um abismo que me separa mesmo daqueles que mais amo... um abismo que muitas vezes não consigo transpor... Mas quem está do meu lado sabe me chamar de volta, sabe me achar quando nem eu mesma me encontro... E irrromper este abismo pode ser feito com um abraço num momento crucial, aquele momento em que você diz no olhar que é disso que precisa e as pessoas ainda conseguem fazer esta leitura de você. Pessoas raras de se encontrar...
Ainda assim, a dor segue seu curso aqui dentro, dor e vazio, correndo nas minhas veias com meu sangue, se espalhando, tomando conta de tudo o que sou e fui até agora, como um rio desaguando muito longe, algumas vezes consigo me distanciar dela, como se ela sequer me pertencesse... mas sei que está aqui, em algum lugar, adormecida, esperando para sair, explodir em cachoeira, sangue derramado, carne dilacerada... Sou forte, como você me disse mais de uma vez, mas não posso ser o tempo todo. Lilith desperta e ferida... coração secando, cada pouco mais... Espero que dê tempo, espero que não esteja tudo acabado quando chegar a hora, espero que realmente possamos seguir parte da estrada... lutar juntos... cada vez mais tenho medo do tempo... Que Chronos seja generoso comigo, que seja generoso contigo, que o tempo não seja nosso pior e mais cruel inimigo...



domingo, 29 de abril de 2012

Casamento


Ter a consciência da finitude das coisas muitas vezes nos faz ter medo... muito mais do tempo do que de qualquer outra coisa... Começamos uma relação e lá vem o receio... quanto tempo vai durar? Será que seremos capazes de envelhecer juntos, criar projetos de vida em que ambos estejamos inclusos e, muito mais do que isso, onde ambos estejamos engajados na luta...
Um casamento, a meu ver, antes de ser oficializado fisicamente, já foi oficializado pelas almas... Casamos porque ainda acreditamos que algo possa ser eterno. Sim, isso mesmo, mesmo com a tal da consciência da finitude cutucando o tempo todo... Ninguém casa pensando que vai acabar. Queremos um pedacinho da eternidade do qual temos direito... o casamento é uma das mais belas formas de reivindicarmos isso.
Casamos sonhando com o futuro, casamos com esperanças de que possamos, juntos, criar um mundo particular melhor do que o que está lá fora. Casamos porque ainda percebemos a magia que está presente em todas as coisas. O balanço no final de tarde, dormir juntos todos os dias, aprender com os atritos, ceder para que amanhã o outro ceda...
Tem muita gente que acredita que seja um passo errado, que acredita que o casamento, enquanto insituição, está falido há muito tempo... Eu acredito que ainda temos de ter esperanças de que algumas pessoas possam fazer melhor do que outras já o fizeram.
Mauri e João são um exemplo do que falo... Acompanhei o início da trajetória, uma relação que muitos diriam ser efêmera por conta do contexto em que nasceu... Mas ambos foram provando a força que tem o amor verdadeiro... dificuldades vencidas, trabalho e luta que seguem ainda em frente, pois ainda há muito a ser construído. Mas constroem juntos, lutam juntos e dão força um ao outro quando acontece o esmorecimento. Para mim, é isso que vale. Saber que temos uma outra pessoa que estará conosco quando todos os outros tiverem partido... Olhando os dois - Mauri que já era minha amiga, João que veio depois, mas que se tornou um grande amigo, porque sei que cuida e olha por ela quando não posso estar junto - acabo renovando minha fé de que tudo pode ser diferente. Volto a crer que Almas Gêmeas ainda existem e podem, sim, ficar juntas, mesmo quando o Universo conspira contra. Porque a ideia de Alma Gêmea que faço é exatamente essa: pessoas que ficam juntas e constroem uma história vencendo juntas as dificuldades que aparecem... Uma coisa é certa: dure o tempo que durar, sendo eterno ou não, a eternidade estará com vocês enquanto caminharem juntos e é exatamente isso que faz tudo, tudo valer a pena... Que seja infinito enquanto durar! Amo vocês dois e sei que faço parte dessa história, mesmo que num papel coadjuvante, então não tem como não me emocionar neste momento e dizer para vocês que depende dos dois fazer com que valha a pena! Sejam felizes, muito felizes, imensamente felizes, hoje e sempre!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe.

 Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe;
Se ele não te quer, nada pode fazê-lo ficar.
Pare de dar desculpas (de arranjar justificativas) para um homem e seu comportamento.
Permita que sua intuição (ou espírito) te proteja das mágoas.
Pare de tentar se modificar para uma relação que não tem que acontecer.
Mais devagar é melhor. Nunca dedique sua vida a um homem antes que você encontre um que realmente te faz feliz.
Se uma relação terminar porque o homem não te tratou como você merecia,”foda-se, mande pro inferno, esquece!”, vocês não podem “ser amigos”. Um amigo não destrataria outro amigo.
Não conserte.
Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo. Não continue (a relação) porque você acha que “ele vai melhorar”.
Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores.
A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.
Evite homens que têm um monte de filhos, e de um monte de mulheres diferentes. Ele não casou com elas quando elas ficaram grávidas, então, porque ele te trataria diferente?
Sempre tenha seu próprio círculo de amizade, separadamente do dele.
Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar,faça um escândalo.
Nunca deixe um homem saber de tudo. Mais tarde ele usará isso contra você.
Você não pode mudar o comportamento de um homem. A mudança vem de dentro.
Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você… mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.
Não o torne um semi-deus.
Ele é um homem, nada além ou aquém disso.
Nunca deixe um homem definir quem você é.
Nunca pegue o homem de alguém emprestado.
Se ele traiu alguém com você, ele te trairá.
Um homem vai te tratar do jeito que você permita que ele te trate. Todos os homens NÃO são cachorros.
Você não deve ser a única a fazer tudo…compromisso é uma via de mão dupla.
Você precisa de tempo para se cuidar entre as relações. Não há nada precioso quanto viajar. Veja as suas questões antes de um novo relacionamento.
Você nunca deve olhar para alguém sentindo que a pessoa irá te completar.
Uma relação consiste de dois indivíduos completos,procure alguém que irá te complementar… não suplementar.
Namorar é bacana. mesmo se ele não for o esperado Sr. Correto.
Faça-o sentir falta de você algumas vezes… quando um homem sempre sabe que você está lá, e que você está sempre disponível para ele, ele se acha…
Nunca se mude para a casa da mãe dele.

Nunca seja cúmplice (ou co-assine qualquer documento) de um homem.(cama e escovas de dentes juntas, Conta Correntes separadas)
Não se comprometa completamente com um homem que não te dá tudo o que você precisa. Mantenha-o em seu radar, mas conheça outros…

Compartilhe isso com outras mulheres e homens . Você fará alguém sorrir, outros repensarem sobre as escolhas, e outras mulheres se prepararem.
O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações que são abusivas e lesivas: Dr. Phill

Você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém e se um homem te destrata, é ele que vai perder uma coisa boa.
Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único.
Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções.

Faça a escolha certa.

Eles são como vestidos na vitrine, podem ser lindos,mas , vc é que dá a palavra final. Se leva ou não .... o vestido tem q ter varias qualidades do contrario , só ocupa espaço no armario... Impedindo outros melhores chegarem até vc.
Não guarde entulhos, só para dizer q tem ...

  
Este texto é da Oprah Winfrey, apresentadora conceituadíssima dos Estados Unidos. Não preciso fazer considerações a respeito do texto, porque eu assino embaixo.
Leiam , e arrepiem-se também.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Verão


Eu gosto do verão, sempre gostei... Para mim, particularmente, é a estação da atividade, do movimento, do sair, ver pessoas, andar nas ruas, correr, passear... É a estação da vida. Amanhece mais cedo, anoitece mais tarde e isso não se deve apenas à invenção do tal horário de verão, não. É porque no verão é assim mesmo, independentemente de qualquer invenção humana. Acordar cedo é um privilégio, não um sacrifício, como no inverno.
Sei que a maioria das pessoas clama pelo inverno, fica mais preguiçosa no calor, não gosta de suar, enfim, a maioria poderia enumerar um sem fim de razões pelas quais não gostam de verão. Mas eu, apesar de tudo, ainda tenho um caso de amor com esta estação.
E isso vem desde sempre, desde que era muito pequena. Poderia explicar argumentando contra o inverno: dias intermináveis de chuva, umidade, noites mais longas que nunca podem ser de fato aproveitadas, escuridão, lá fora e aqui dentro. O inverno me remete à tristeza, o frio me faz querer hibernar como os ursos, não tenho vontade de fazer nada, apenas comer e dormir. Quando finda o mês de fevereiro, já começo a sentir uma pontinha de dor no coração, meu corpo clama pelo momento de hibernação que nunca chega e eu sofro muito por isso.
No verão, há a magia... Ouço o canto das cigarras e viajo de volta à minha infância, as tardes preguiçosas embaixo da videira, comendo goiaba do pé, fazendo a dança da chuva com as primas quando começava a aprontar temporal – como se a chuva dependesse exclusivamente da tal dança para chegar. As cigarras cantando num domingo de sol me fazem viajar no tempo, naquele tempo remoto em que eu, por nunca ter visto uma cigarra na vida, acreditava que o som maravilhoso era produzido pelas libélulas esvoaçantes, com suas asas multicores. Libélulas, borboletas, tatus-bola. Araçá, goiaba, framboesas, frutas comidas direto do pé... Os adultos tomando o bom e velho mate e nós descobrindo um mundo só nosso, onde podíamos ser quem quiséssemos ser. As uvas maduras, prontas para serem colhidas, guardadas a sete chaves. A colheita era feita por quem sabia. As belas flores de maracujá, as abelhas...
Tudo isso num tempo em que a família ainda se reunia, na mesa abaixo da videira, o churrasco, as histórias, o falatório interminável de gente. Tias, tios, primos, primas, a vó... Um mundo permeado de amor e de respeito. As tardes de verão, vendo as roupas balançarem suaves na corda do varal, com aquela brisa morna, gostosa, me fazem voltar pra um tempo que já não existe mais, um tempo ao qual meus filhos não presenciaram e que me entristece sabê-lo tão distante.
Os banhos de bexiguinha com os amigos, de mangueira e balde com os primos, até mesmo os banhos de chuva tinham um sabor todo diferente. Hoje, temos piscina, mas, ainda assim, ela não tem o mesmo valor.  Ela não promove a mesma interatividade, a mesma integração de um bom banho de bexiga.
No verão, apetece caminhar no parque, um bom pique nique com os amigos e até mesmo sentar-se à sombra de uma árvore para ler um livro. Assistir as crianças brincando alegres na pracinha, o céu azul, o colorido dos brinquedos.
E, notem, sequer falei em praia, no barulho do mar, nas caminhadas na areia. Não falei porque isso fez parte de minha rotina de veraneio pouquíssimas vezes. Mas também gosto. Gosto do barulho do mar, do cheiro de maresia, de dormir ao som do vento batendo nas árvores. Tem uma paz, um tipo específico de paz, que a gente só consegue sentir lá. Sentar-se numa duna no final de tarde, com a praia vazia e escutar, somente escutar. Sem contar a paisagem que se tem na caminhada. Na realidade, não ligo muito para as festas, baladas, etc, que essa época também oferece. Estar com os amigos é bom em qualquer época do ano, afinal.
Mas o verão é bom porque tem vida, você anda pelas ruas e encontra gente, as pessoas tem um ar mais saudável, mais feliz, mais receptivo. A magia desta estação nenhuma outra oferece, certo de que todas tem seu encanto especial, e são necessárias para que o ciclo da vida se complete. Mas o verão é único em todos os sentidos e me remete a uma infância imensamente feliz.
As pessoas que se incomodam com o calor e com o sol, sigam pedindo o inverno de volta, mas eu, eu queria que o verão seguisse o ano inteiro, com seus cheiros e sabores, pois sinto falta dele como ninguém. Faz-me um bem enorme sentir o cheiro de terra molhada nas chuvas de verão, dormir descoberta, acordar e pular da cama com vontade... Pois, tirando algumas futilidades que passam na televisão somente nesta estação do ano, penso que, no mais, é perfeito.
Entre sóis, girassóis, gatos preguiçosos deitados na pedra fresca, chuvas rápidas e refrescantes, me deito na brisa morna a sonhar que o verão um dia possa ficar, nem que seja no coração das pessoas, durante todo o frio do inverno. Que possamos carregar a alegria e a vivacidade do verão para as outras estações.

domingo, 28 de agosto de 2011

Ah, o diferente, esse ser especial! - Artur da Távola


Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser.


Esse é um imitador do que
ainda não foi imitado,
nunca um ser diferente.


Diferente é quem foi dotado
de alguns mais e de alguns menos em hora,
momento e lugar errados para os outros.


Que riem de inveja de não serem assim.

E de medo de não agüentar,
caso um dia venham a ser.
O diferente é um ser sempre
mais próximo da perfeição.


O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido
por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato
onde está um diferente,
talentos são rechaçados;
vitórias, adiadas;
esperanças, mortas.


Um diferente medroso, este sim,
acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.


Os diferentes muito inteligentes
percebem porque os outros
não os entendem.


Os diferentes raivosos
acabam tendo razão sozinhos,
contra o mundo inteiro.


Diferente que se preza entende
o porquê de quem o agride.


Se o diferente se mediocrizar,
mergulhará no complexo de inferioridade.


O diferente paga sempre o preço de estar
- mesmo sem querer –
alterando algo, ameaçando rebanhos,
carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual,
a inveja do comum, o ódio do mediano.


O verdadeiro diferente
sabe que nunca tem razão,
mas que está sempre certo.


O diferente começa a sofrer cedo,
já no primário, onde os demais, de mãos dadas,
e até mesmo alguns adultos,
por omissão, se unem para transformar
o que é peculiaridade e potencial
em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em:
“Puxa, fulano, como você é complicado”.
O que é o embrião de um estilo próprio em:
“Você não está vendo como todo
mundo faz?”


O diferente carrega desde cedo apelidos
e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo
se transformaram (e se transformam)
nos seus grandes modificadores.


Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais
começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona
enquanto todos em torno,
agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco;
chora onde outros xingam;
estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.


Diferente é o que fica doendo
onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas que
só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol,
porque gosta mais de jogar do que de ganhar.


Ele aprendeu a superar riso,
deboche, escárnio,
e consciência dolorosa de
que a média é má porque é igual.


Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso,
bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos,
joelhudos, de pé grande, de roupas erradas,
cheios de espinhas, de mumunha,
de malícia ou de baba.


Aí estão, doendo e doendo,
mas procurando ser,
conseguindo ser,
sendo muito mais.


A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes
que eles guardam para os pouco capazes
de os sentir e entender.
Nessas moradas estão
tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.


Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte
para suportá-lo depois.


(Artur da Távola)



Recebi este texto por e-mail já faz algum tempo. Esta semana, quando estava procurando alguma coisa para levar na escola da minha filha, para a festa da família (em substituição à festa de dia dos pais), a Mauri me reencaminhou este e-mail que eu mesma havia enviado a ela. Foi um reencontro. Estas palavras disseram muito a mim outrora e ainda dizem ao meu coração. Não só porque eu convivo com a diferença e ela faz parte do meu dia a dia, mas também porque eu sempre me senti assim: DIFERENTE. Apenas isso e simples assim. Nunca me encaixei nos moldes e padrões pré estabelecidos, sempre fui mais - ou menos - mas nunca igual. Resumindo: sempre minha intensidade me fez sentir diferente dos demais, porque não sei ser superficial, não sei ser metade, apenas inteira. Por isso que tenho poucos - e bons - amigos. Por isso que choro na frente dos meus filhos. Por isso que muitas vezes falo demais. Mas este texto narra isto mesmo. É uma ode à estas e outras diferenças que, ao contrário do que muitos pensam, não nos diminuem diante dos outros, nos engrandecem e nos tornam especiais. A todos os diferentes, um brinde! Você com certeza não está sozinho!

Carina, 28/08/11.